Carmen Navas: A Mãe Que Buscou o Filho Morto Por Quase 10 Meses nas Prisões da Venezuela

Carmen Navas: A Mãe Que Buscou o Filho Morto Por Quase 10 Meses nas Prisões da Venezuela

Resumo

A dor de Carmen Navas, símbolo da tragédia humanitária na Venezuela

A história de Victor Hugo Quero Navas e de sua mãe, Carmen Navas, expõe a dimensão da tragédia institucional na Venezuela, onde a morte de um preso político sob custódia do Estado se tornou um fato comum, mas o descaso com as famílias é ainda mais cruel.

Carmen Navas, uma mãe de 81 anos, dedicou meses de sua vida a uma busca incansável por seu filho, Victor Hugo Quero, detido arbitrariamente em janeiro de 2025. O que ela não sabia era que as autoridades venezuelanas já conheciam o destino trágico de Victor Hugo, que faleceu em julho de 2025, quase dez meses antes de a família ser notificada.

Essa narrativa, marcada pela dor e pela luta de uma mãe contra o silêncio e a opacidade do sistema, foi divulgada por relatos e organizações de direitos humanos, como a Provea, que documentam a crescente violação de direitos na Venezuela.

A Prisão e o Desaparecimento de Victor Hugo Quero

Victor Hugo Quero Navas, pai viúvo e comerciante sem histórico de militância política, foi preso em 3 de janeiro de 2025, sob acusações de traição à pátria, conspiração e terrorismo. Desde então, ele desapareceu dentro do sistema repressivo venezuelano, sem que sua família tivesse informações concretas sobre seu paradeiro, estado de saúde ou situação jurídica.

A família enfrentou um verdadeiro labirinto de informações desencontradas, negativas e silêncio institucional. A busca por Victor Hugo se tornou uma peregrinação angustiante para Carmen Navas, que percorreu centros de detenção, insistiu junto a autoridades e buscou ajuda de organizações civis e da imprensa.

A Luta de Carmen Navas Contra o Silêncio Estatal

Aos 81 anos, Carmen Navas recusou-se a aceitar o silêncio e a indiferença das autoridades. Ela visitou prisões como El Rodeo I, fez denúncias públicas e buscou incansavelmente por respostas. No entanto, em vez de auxílio, encontrou evasivas, relatos de intimidação por grupos de choque e a dolorosa frase repetida: “Aqui ele não está”.

A peregrinação de Carmen Navas ganhou destaque na imprensa independente e nas redes de defesa dos direitos humanos, revelando a crueldade de um Estado que sabia da morte de Victor Hugo, mas permitia que uma mãe idosa o procurasse em vão.

A Revelação da Morte e a Crueldade do Estado

Em 7 de maio de 2026, um comunicado oficial do Ministério de Assuntos Penitenciários confirmou a morte de Victor Hugo Quero em 23 de julho de 2025, com o enterro ocorrendo em um cemitério próximo a Caracas. A justificativa oficial para a demora na notificação foi a suposta falta de dados de filiação adequados por parte de Victor Hugo, uma alegação difícil de sustentar diante da notoriedade do caso.

Um detalhe ainda mais perturbador é que, semanas antes da confirmação da morte, Carmen Navas teve seu pedido de anistia para o filho negado, sob o argumento de que ele não se enquadrava nos critérios legais. Naquele momento, segundo a própria cronologia oficial, o Estado já sabia que Victor Hugo estava morto, tornando a negação do pedido um ato de crueldade institucional.

O Legado de Carmen Navas e a Realidade dos Presos Políticos

A história de Victor Hugo Quero Navas e Carmen Navas não é um caso isolado. Segundo a organização de direitos humanos Provea, Victor Hugo foi o 27º preso político a morrer sob custódia do Estado venezuelano desde 2024, totalizando 27 vidas interrompidas sob responsabilidade direta do Estado.

A morte de Carmen Navas, dez dias após o anúncio oficial da morte de seu filho, aos 89 anos, evidenciou o impacto devastador da perda e da luta incansável. Familiares relatam que ela

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