Direita Sul-Americana em Ascensão: Eleições na Colômbia e Peru Sinalizam Virada Política no Continente

Direita Sul-Americana em Ascensão: Eleições na Colômbia e Peru Sinalizam Virada Política no Continente

Resumo

A Direita Ganha Força na América do Sul, Com Potenciais Mudanças de Poder no Peru e Colômbia

O cenário político na América do Sul está passando por uma transformação notável. Com a recente eleição de Abelardo de la Espriella na Colômbia e a possibilidade de Keiko Fujimori vencer no Peru, a direita demonstra uma força crescente no continente.

Este movimento contrasta com o início de 2023, quando a esquerda dominava a região. A análise de especialistas aponta para uma busca do eleitorado por ordem, previsibilidade e governabilidade, fatores que a direita parece estar capitalizando.

A mudança reflete um “pêndulo eleitoral” latino-americano, onde a alternância de governos de esquerda e direita tem sido uma constante nas últimas décadas. Conforme informação divulgada pela Gazeta do Povo, a ascensão da direita se alinha a uma “mudança global de humor político”.

O Equilíbrio de Poder se Ajusta na América do Sul

No início de 2023, a América do Sul contava com oito presidentes de esquerda e quatro de direita. Atualmente, com a possível adição de Espriella e Fujimori ao bloco de direita, o continente pode ficar dividido entre sete governos de direita e cinco de esquerda. Essa projeção considera as eleições de 2025, que já viram a esquerda manter Suriname e Guiana, mas perder Bolívia e Chile, além da reeleição de Daniel Noboa no Equador.

Fatores que Impulsionam a Direita

Especialistas apontam que o discurso da direita, focado em “ordem, previsibilidade e governabilidade mínima”, tem ressoado com o eleitorado. Frederico Dias, professor de relações internacionais do Ibmec Brasília, explica que em países como Equador e Peru, vitórias de direita ocorreram em resposta a crises de violência, instabilidade institucional e econômica. No Peru, a busca por encerrar uma década de instabilidade extrema tem sido um fator crucial, com a direita liderando não por um consenso ideológico claro, mas pela ausência de alternativas confiáveis.

Adriana Melo, especialista em finanças e tributação, complementa que o eleitor sul-americano está mais preocupado com questões práticas como segurança, custo de vida, emprego e estabilidade do Estado. Ela descreve que em países como Equador, Bolívia, Chile, Colômbia e Peru, apesar de suas histórias distintas, há uma sensação comum de aumento da insegurança, desgaste de governos de esquerda, frustração econômica e a percepção de que o Estado falha em suas promessas.

A Mudança Global e o Contexto Latino-Americano

Victor Missiato, professor de história e analista político, descreve o fenômeno como “pêndulos eleitorais” e destaca que a atual onda de direita é impulsionada pelo discurso de segurança pública e controle das contas públicas. A inflação e o déficit nas contas públicas têm levado a sociedade latino-americana a buscar estabilidade monetária e controle econômico, favorecendo assim um discurso mais conservador. Missiato também aponta que, após gestões de esquerda que não apresentaram os resultados esperados, a direita ganha espaço com propostas mais diretas para esses problemas.

A influência dos Estados Unidos, especialmente durante a administração de Donald Trump, também é vista como um fator que pode ter acelerado essa tendência. Governos mais alinhados a Washington tendem a ser percebidos por mercados e elites econômicas como mais previsíveis em termos de segurança, investimento e política econômica, segundo Melo.

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