Mulher na Vice: A Estratégia do PL para Desbancar Lula e Conquistar Eleitorado Feminino em 2026

Mulher na Vice: A Estratégia do PL para Desbancar Lula e Conquistar Eleitorado Feminino em 2026

Resumo

Vice mulher: A aposta do PL para ampliar o alcance eleitoral de Flávio Bolsonaro na corrida presidencial de 2026

A escolha de uma mulher para a vice-presidência na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) surge como uma das principais estratégias do Partido Liberal (PL) para diminuir a vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) entre o eleitorado feminino. Essa tática ganhou ainda mais força após um desentendimento público entre Flávio e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, figura vista como um importante ativo do partido junto às mulheres conservadoras.

Integrantes da pré-campanha avaliam que a composição da chapa com uma mulher pode facilitar o diálogo com um segmento onde o senador enfrenta maior resistência. Pesquisas recentes indicam que Lula lidera entre as mulheres, o que alimenta a expectativa do PL de conquistar parte desse eleitorado durante a campanha.

A preocupação com o voto feminino é anterior ao recente atrito. Flávio Bolsonaro tem defendido publicamente a maior participação feminina em cargos de liderança e sinalizado sua intenção de escolher uma mulher para compor a chapa. Conforme informação divulgada pela Genial/Quaest, Lula detém 41% das intenções de voto entre as mulheres, enquanto Flávio aparece com 24%. Um percentual de 13% de eleitoras não soube em quem votar, o que representa uma oportunidade para o PL.

O desafio de conquistar o voto feminino

Flávio Bolsonaro declarou em evento em São Paulo no último dia 15: “O que posso falar é que o perfil é de alguém que complemente a nossa chapa, uma pessoa preparada, de bem e interessada; uma mulher”. Essa fala reforça a ideia de que a busca por uma vice mulher é uma estratégia deliberada para atrair eleitoras.

A estrutura da pré-campanha também tem refletido essa preocupação. Flávio convidou Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal, para integrar a equipe de programa de governo na área econômica, destacando-a como exemplo de liderança feminina conservadora.

Nomes em jogo para a vice-presidência

Diversos nomes estão sendo avaliados pelo PL para a posição de vice. Entre as cotadas dentro do partido estão as deputadas federais Júlia Zanatta (PL-SC) e Bia Kicis (PL-DF), além da vereadora de Fortaleza Priscila Costa (PL-CE). Fora da legenda, a senadora Tereza Cristina (PP-MS) e a deputada federal Simone Marquetto (PP-SP) também figuram entre as possibilidades.

A deputada Júlia Zanatta tem ganhado projeção por defender pautas conservadoras. Apesar de elogiada por Eduardo Bolsonaro, aliados reconhecem que sua forte identificação ideológica pode mobilizar a base, mas não necessariamente ampliar o diálogo com o eleitorado feminino em geral.

Bia Kicis, atualmente pré-candidata ao Senado pelo Distrito Federal, também é um nome discutido. Em vídeo recente, Flávio Bolsonaro a mencionou, dizendo: “Sei que você é uma pessoa que topa alguns desafios, que está disposta a dar o seu melhor para o Brasil”. Kicis respondeu estar preparada para a função, destacando que pode contribuir para ampliar o alcance eleitoral da chapa.

Priscila Costa, vereadora de Fortaleza e ligada ao eleitorado evangélico, é outra opção. Sua atuação em pautas conservadoras, como a oposição ao aborto e à “ideologia de gênero”, pode fortalecer a presença da chapa no Nordeste e reforçar o diálogo com um segmento estratégico para reduzir a vantagem de Lula na região.

Aliados e a busca por moderação

Apesar de nomes dentro do PL estarem em pauta, a campanha de Flávio Bolsonaro busca nomes fora da legenda para ampliar o leque político. A senadora Tereza Cristina, ex-ministra da Agricultura, é vista como uma ponte para o agronegócio e o Centrão. Já a deputada Simone Marquetto, do PP, poderia ampliar o diálogo com o eleitorado católico praticante.

O coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), destaca que Marquetto tem uma forte ligação com o movimento carismático católico, o que pode ser um diferencial para alcançar um segmento religioso relevante.

Análise de especialistas: vice mulher é um passo, mas não a solução completa

Especialistas em política avaliam que a escolha de uma mulher para a vice é um passo importante, mas, por si só, pode não ser suficiente para um aumento expressivo no apoio feminino. Elias Tavares, cientista político, afirma que a escolha “funciona como um sinal político importante, sobretudo porque amplia a percepção de representatividade dentro da chapa”.

No entanto, Tavares ressalta que “a redução da resistência do eleitorado feminino depende também da campanha, do discurso e da credibilidade construída ao longo do processo eleitoral”. Ele também aponta que a crise envolvendo Michelle Bolsonaro tornou a escolha da vice ainda mais sensível, pois ela se tornou uma “liderança política com peso próprio”.

Yolanda Tolentino, analista política, considera a escolha da vice um ganho mais tático do que estrutural. “O que essa escolha faz de concreto é criar um gancho de comunicação com eleitores indecisos e dificultar o ataque adversário no terreno da representatividade”, explica.

Tolentino sugere que nomes de partidos aliados como PP, Republicanos ou União Brasil poderiam resolver dois problemas: formalizar alianças partidárias com capilaridade nacional e sinalizar moderação para o eleitorado de centro. A definição final da chapa dependerá das negociações de Flávio Bolsonaro com partidos aliados e da aprovação de Jair Bolsonaro, com expectativa de anúncio na convenção partidária no fim de julho.

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