Relatório da PF: Tragédia da Voepass foi 'construção de negligência', aponta investigação com indiciamentos criminais

Relatório da PF: Tragédia da Voepass foi ‘construção de negligência’, aponta investigação com indiciamentos criminais

Resumo

Polícia Federal conclui investigação sobre queda da Voepass com indiciamento criminal confirmado

Um relatório final com mais de 200 páginas da Polícia Federal (PF) apresentou conclusões contundentes sobre a queda do voo 2283 da Voepass, ocorrida em agosto de 2024. A investigação aponta que a aeronave não reunia as condições de segurança necessárias para o voo, confirmando que haverá indiciamentos criminais. O documento foi apresentado em Campinas (SP) a advogados e familiares das 62 vítimas fatais.

O avião, que decolou de Cascavel (PR) com destino a Guarulhos (SP), transportava 58 passageiros e 4 tripulantes. Infelizmente, não houve sobreviventes. A principal linha de investigação concentrou-se no acúmulo de gelo nas asas e em possíveis falhas nos sistemas de degelo da aeronave, fatores que teriam levado o avião a uma queda em parafuso, de onde a tripulação não conseguiu recuperar o controle.

As informações foram divulgadas conforme o relato do portal de notícias G1 Campinas, que também acompanhou a apresentação do relatório. A Voepass esteve presente na reunião com os familiares, mas optou por não se pronunciar à imprensa. A empresa não retornou o contato para comentários até a publicação desta reportagem.

Caixa-preta revela falhas e negligência na gestão da Voepass

A diretoria da Associação das Vítimas do Voo 2283 teve acesso a laudos técnicos e transcrições da caixa-preta, que detalham a rotina na cabine nos momentos que antecederam o acidente. Fátima Albuquerque, presidente da associação e mãe de uma das vítimas, declarou que os dados técnicos confirmam que o desfecho não foi acidental, mas sim resultado de falhas na gestão da empresa. “Não foi um acidente, foi uma tragédia anunciada, uma construção de negligência”, afirmou Albuquerque.

Ela criticou duramente a conduta da companhia, atribuindo o ocorrido à ganância. “É uma questão de ganância. Você não fazer uma manutenção adequada, não reportar um erro e submeter uma tripulação a uma situação de risco onde acabaram normalizando uma conduta que os levou à morte”, disse. A presidente da associação também alertou sobre as pressões operacionais enfrentadas pelos profissionais da aviação, indicando que a empresa adotava práticas de assédio e comprometia a segurança do trabalho.

“A nossa luta é para que nenhuma tripulação no Brasil coloque sua vida e a dos passageiros em risco para agradar patrão ou por medo de perder o emprego após ser ameaçada”, completou Albuquerque, ressaltando a importância de garantir um ambiente de trabalho seguro e ético na aviação.

Relatório da PF abre caminho para denúncia criminal contra responsáveis

Com a conclusão do relatório da Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF) receberá o documento para formalizar a denúncia contra os executivos e técnicos responsáveis pela operação da aeronave. Luciano Katarinhuk, advogado que atua na assistência de acusação e representa a associação, considera as próximas quatro semanas cruciais para o desdobramento jurídico do caso. “O que nós sabemos de definitivo é que haverá indiciamentos no caso da Voepass. O voo 2283 não ficará em vão”, declarou Katarinhuk.

Ele explicou que alguns procedimentos formais ainda precisam ser concluídos, mas que muitas novidades são esperadas nos próximos 30 dias. “A assistência de acusação espera a denúncia do Ministério Público e vamos trabalhar para que essas pessoas sejam responsabilizadas criminalmente”, acrescentou o advogado. O relatório aponta para o indiciamento do comando da equipe que operava o que a defesa e as vítimas descrevem como um modus operandi negligente na manutenção e liberação de aeronaves da companhia.

O que diz o relatório sobre as condições da aeronave

A investigação detalhada pela Polícia Federal focou em identificar as causas que levaram à queda da aeronave da Voepass. O acúmulo de gelo nas asas e as falhas nos sistemas de degelo foram apontados como fatores determinantes. Essas condições, segundo o relatório, teriam comprometido a aerodinâmica do avião, levando-o a uma situação de perda de controle.

A análise da caixa-preta forneceu dados cruciais sobre o comportamento da tripulação e os alertas que surgiram na cabine. A complexidade dos eventos sugere uma série de falhas sistêmicas e operacionais, que serão agora objeto de análise pelo Ministério Público para a formalização das acusações criminais.

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