Alfredo Gaspar, escolhido para ser vice na chapa de Flávio Bolsonaro, já gerou polêmica com declarações sobre segurança pública.
Em entrevista sobre letalidade policial, o então secretário de Segurança Pública de Alagoas, Alfredo Gaspar, afirmou categoricamente que nenhum policial tinha “sua autorização para morrer”. A declaração, que ganhou repercussão recentemente, reflete uma visão sobre a atuação policial e a proteção dos agentes.
Gaspar, que ocupou o cargo de Secretário de Segurança Pública de Alagoas em dois períodos, entre 2015 e 2016 e novamente em 2020, expressou a preferência pela vida do policial em detrimento da de criminosos. A fala remete a uma famosa máxima militar adaptada ao contexto brasileiro.
A escolha de Alfredo Gaspar para compor a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro, como vice, sinaliza que as bandeiras de combate à corrupção e segurança pública serão centrais na campanha. A declaração sobre a “autorização para morrer” de policiais, divulgada em uma publicação do deputado Nikolas Ferreira no X, reacende o debate sobre a letalidade policial no país.
Apolêmica declaração sobre a vida do policial
Em sua fala, Alfredo Gaspar foi explícito: “Nenhum policial sai de casa para matar. Policial que sai para matar é criminoso. Mas nenhum policial está autorizado pelo secretário a sair de casa para morrer”. Ele acrescentou que a prioridade é o retorno do agente para casa após o cumprimento do dever, ressaltando: “Prefiro que morram um milhão de bandidos a que morra um policial”.
Inspiração militar e o conceito de letalidade policial
A frase de Gaspar é uma livre interpretação de uma célebre máxima atribuída ao general George Patton, comandante das tropas americanas na Segunda Guerra Mundial. Patton teria dito que o objetivo da guerra não é morrer pelo seu país, mas sim fazer o inimigo morrer pelo seu. Em recriações cinematográficas, o general é retratado dizendo a seus subordinados que nenhum teria sua autorização para morrer em combate.
A questão da “letalidade policial” é frequentemente criticada por grupos de direitos humanos. Por outro lado, lideranças da direita, como o deputado Capitão Derrite, questionam o próprio conceito, considerando-o uma crítica preconceituosa ao trabalho policial. Especialistas apontam que o enfrentamento entre criminosos e policiais no Brasil muitas vezes assume características de combate bélico.
Gaspar na chapa de Flávio Bolsonaro
Alfredo Gaspar foi escolhido como pré-candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL-RJ) nesta quarta-feira (5). A escolha para compor a chapa presidencial ocorre em seu primeiro mandato como deputado federal e, segundo informações, foi uma decisão de “chapa puro-sangue”, sem alianças externas. Flávio Bolsonaro destacou a atuação recente do deputado na CPMI do INSS ao anunciar a escolha, que surpreendeu até mesmo observadores das articulações políticas do PL.
A campanha busca fortalecer as bandeiras de combate à corrupção e segurança pública com a inclusão de Gaspar. A declaração sobre a “autorização para morrer” de policiais, agora revisitada, adiciona um elemento de debate sobre a visão do pré-candidato a vice em relação a um tema sensível na sociedade brasileira.