Colômbia: Direita assume sob ameaça de atentados e com promessa de reverter 'era Petro'

Colômbia: Direita assume sob ameaça de atentados e com promessa de reverter ‘era Petro’

Resumo

Colômbia: Nova era de direita sob forte esquema de segurança e promessa de reverter políticas de Petro

A Colômbia marca uma virada política com a posse de Abelardo de la Espriella, presidente de direita que assume o cargo nesta sexta-feira (7), prometendo um rompimento com a gestão de seu antecessor, o esquerdista Gustavo Petro. A cerimônia, que ocorre em Cali, cidade simbólica no sudoeste do país, acontece sob um clima de apreensão devido a ameaças de grupos armados e recentes atentados.

O novo governo de direita chega com a missão de retomar o controle de áreas dominadas pelo crime organizado e restabelecer laços mais estreitos com os Estados Unidos. A agenda de De la Espriella contrasta fortemente com a política de “paz total” de Petro, que buscava negociações com grupos armados, mas que, segundo críticas, resultou na expansão dessas organizações.

As informações foram divulgadas pela imprensa colombiana, que detalha o aumento de integrantes de grupos armados e a escalada de violência no país. A transição de poder ocorre em um cenário de segurança delicado, com autoridades em alerta máximo para prevenir ataques durante a posse presidencial.

Ameaças e forte esquema de segurança marcam a posse

A posse de Abelardo de la Espriella será realizada em Cali, no sudoeste colombiano, e contará com um robusto esquema de segurança. A decisão de realizar o evento fora da capital, Bogotá, é vista como uma mensagem simbólica. A mudança de sede ocorre após uma série de ameaças atribuídas a dissidências das Farc e outros grupos armados, além de um recente ataque com caminhão-bomba em Cúcuta, que deixou feridos e causou danos materiais.

Mais de 11 mil militares e policiais estarão mobilizados para garantir a segurança, com bloqueios de estradas, vigilância aérea e restrições ao uso de drones. O ministro da Defesa do governo Petro, Pedro Sánchez, alertou para a ameaça “latente” de ataques, indicando que organizações criminosas podem tentar desestabilizar o início do novo mandato.

Agenda de direita: “Retomar a soberania” e ofensiva militar

Abelardo de la Espriella assume com a promessa de reverter as políticas de Gustavo Petro, especialmente no que diz respeito à segurança. Ele pretende “retomar a soberania” em regiões que, em sua visão, foram cedidas aos narcoterroristas. A estratégia de “paz total” de Petro, que buscava acordos e cessar-fogo com diversos grupos armados, é criticada pelo aumento da atuação criminosa.

Dados da Fundação Ideias para a Paz indicam um crescimento de 23,5% no número de integrantes de grupos armados em 2025, totalizando 27.121 pessoas. O Clan del Golfo, ELN e o Estado-Maior Central (EMC), dissidência das Farc, são os grupos com maior número de membros. De la Espriella propõe uma ofensiva militar contra organizações que não se submeterem ao Estado em até um mês.

“Em meu governo não haverá ofertas generosas nem concessões inaceitáveis como as que receberam do regime que está chegando ao fim”, declarou o presidente eleito, nomeando o general da reserva Jorge Eduardo Mora para o Ministério da Defesa e anunciando mudanças na cúpula das Forças Armadas e da Polícia Nacional. Serão criados “Blocos de Segurança Urbana” para combater crimes como roubos, extorsões e lavagem de dinheiro.

Economia em cenário desafiador

A economia colombiana apresenta desafios para o novo governo. Embora tenha havido crescimento em 2023, 2024 e projeções para 2025, impulsionado pelo consumo e serviços, o investimento estrangeiro direto registrou quedas significativas. A inflação em 2025 fechou em 5,1%, dobrando a meta oficial em seis meses.

O Banco da República manteve a taxa básica de juros em 12% para conter a alta dos preços. O déficit fiscal em 2025 foi de 6,4% do PIB, e a dívida pública atingiu cerca de US$ 373,85 bilhões, ou 60% do PIB. Esse cenário restringe o espaço para investimentos e ampliação de programas sociais.

De la Espriella prometeu reduzir o tamanho do Estado e cortar despesas desnecessárias, visando diminuir em até 40% os gastos da administração pública até 2030, preservando os principais programas sociais. A nova política de segurança deve começar a ser implementada já no sábado (8), um dia após a posse, nas principais cidades colombianas.

Ônibus com explosivos: Ação de grupo dissidente das Farc

Em meio à escalada de ameaças, a polícia desativou nesta quarta-feira (5) um ônibus carregado com cerca de 420 quilos de nitrato de amônio no departamento de Cauca. As autoridades atribuíram o plano ao Estado-Maior Central (EMC), a maior dissidência das Farc, comandada por “Iván Mordisco”. O objetivo seria sabotar a posse e demonstrar força militar ao novo governo.

O episódio ocorreu dias após a explosão de um caminhão-bomba em Cúcuta, que feriu policiais e civis. A apreensão do ônibus, dos cilindros e das plataformas de lançamento reforça a preocupação com a capacidade bélica de grupos armados e a necessidade de um forte dispositivo de segurança para a transição de poder na Colômbia.

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