Senador Eduardo Girão protocola representação contra Ciro Nogueira no Conselho de Ética do Senado, citando quebra de decoro e caso Master.
O senador Eduardo Girão (Novo-CE) formalizou nesta sexta-feira (7) uma representação no Conselho de Ética e Decoro Parlamentar do Senado. O objetivo é solicitar a abertura de um processo disciplinar contra o senador Ciro Nogueira (PP-PI).
A denúncia apresentada por Girão fundamenta-se em uma alegada “quebra de decoro parlamentar”, especificamente relacionada às investigações do chamado Caso Master. A notícia foi divulgada com exclusividade pelo programa Sem Rodeios, da Gazeta do Povo.
Girão declarou que “o Brasil tem que ser passado a limpo”, reforçando a importância de apurar as denúncias. O caso ganha ainda mais relevância diante da proximidade do período eleitoral, com Nogueira já tendo associado vazamentos anteriores a manobras políticas.
Investigação da PF aponta indícios contra Ciro Nogueira no Caso Master
A representação de Girão tem como base elementos da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal. Essas investigações apontam indícios de que Ciro Nogueira teria apresentado uma emenda que visava ampliar a cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).
A proposta em questão buscava elevar o limite de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por depositante. De acordo com a denúncia, o texto da emenda teria sido elaborado pela própria assessoria do Banco Master e entregue ao senador em um envelope endereçado à sua residência, sendo posteriormente reproduzido integralmente no Senado.
Supostos repasses e aquisição de participação societária em deságio são citados
Além da emenda relacionada ao FGC, a representação menciona outros pontos que configurariam a suposta quebra de decoro. São citados indícios de repasses mensais que variariam entre R$ 300 mil e R$ 500 mil a Ciro Nogueira.
Outro ponto levantado é a suposta aquisição de participação societária com forte deságio em uma empresa ligada ao irmão do parlamentar. Esses fatos, segundo a representação, reforçam a necessidade de uma investigação aprofundada.
Ciro Nogueira vincula denúncias a período eleitoral e Conselho de Ética está paralisado
Em declarações anteriores, quando as primeiras informações sobre sua vinculação ao esquema vieram à tona, Ciro Nogueira atribuiu o vazamento das informações à aproximação do período eleitoral. Na ocasião, ele afirmou: “Tentam de todas as formas parar quem lidera em intenção de votos”.
A situação se complica pelo fato de o Conselho de Ética do Senado estar sem funcionar desde julho de 2024. A paralisação ocorre devido à falta de designação dos integrantes e da instalação do colegiado pela Presidência da Casa. Pelo menos 19 representações aguardam análise, o que levou a oposição a recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Outros senadores também são alvo de representações aguardando análise
A fila de representações pendentes no Conselho de Ética inclui nomes de diferentes espectros políticos. Entre os senadores cujos casos aguardam eventual análise estão Soraya Thronicke (Podemos-MS), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Marcos do Val (Podemos-ES), Giordano (MDB-SP), Jorge Seif (PL-SC), Marcos Rogério (PL-RO), Plínio Valério (PSDB-AM) e Eduardo Braga (MDB-AM).
Até mesmo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), é alvo de representações que, assim como a de Ciro Nogueira, aguardam a retomada das atividades do Conselho de Ética para serem analisadas.