Conselho do MPF definirá futuro de investigação envolvendo Paulo Gonet e mensagens de Daniel Vorcaro
O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF) agendou para o dia 25 de setembro uma importante sessão que definirá os próximos passos em relação às mensagens encontradas no celular de Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Estas mensagens citam o atual procurador-geral da República, Paulo Gonet, e foram obtidas pela Polícia Federal.
A análise dessas comunicações se tornou um ponto central, com o próprio Gonet já tendo se manifestado, afirmando que, em sua visão, nada justifica a instauração de um procedimento formal. A situação ganha contornos ainda mais delicados com as recentes declarações do PGR negando qualquer relação de proximidade com Vorcaro.
A decisão do Conselho Superior do MPF, que tramita sob sigilo, será crucial para determinar se as menções a Paulo Gonet no material apreendido pela PF terão ou não desdobramentos formais. O caso envolve figuras de destaque e levanta questões sobre a interação entre autoridades e o setor financeiro, com o nome de Gonet em evidência.
Relator do caso e pedido de análise das mensagens
O conselheiro Francisco de Assis Vieira Sanseverino foi designado como relator do caso. Inicialmente, o pedido para análise das mensagens foi encaminhado ao vice-presidente do órgão, o procurador Nicolao Dino de Castro e Costa Neto, que é irmão do ministro Flávio Dino. É importante notar que o Conselho Superior do MPF é presidido pelo próprio procurador-geral da República, Paulo Gonet.
Gonet nega proximidade e detalha único encontro com Vorcaro
Durante uma sessão no Supremo Tribunal Federal (STF), Paulo Gonet fez questão de esclarecer sua relação com Daniel Vorcaro. Ele afirmou categoricamente: “Gostaria de deixar isso claro: não existe, nem tive relacionamento de proximidade com o senhor Vorcaro. O único encontro que tive com o senhor Vorcaro se deu com várias autoridades em abril de 2024. A única ligação, intermediada por advogado, foi brevísima e banal”, declarou o PGR.
Mensagens sugerem viagem e interlocução com o PGR
O nome de Paulo Gonet surgiu em um relatório da Polícia Federal, que detalhou a troca de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo o documento, Vorcaro teria, supostamente, custeado uma viagem do filho de Gonet para Londres em meados de 2025. Além disso, outras mensagens parecem indicar que o PGR teria mantido contato com o ex-banqueiro através da intermediação do advogado Ciro Soares.
Gonet defende nulidade do relatório da PF e critica atuação
O material que cita Gonet foi divulgado pelo ministro André Mendonça, que na ocasião era o relator do caso Master. Diante das revelações, Paulo Gonet defendeu a nulidade do relatório da Polícia Federal. Ele argumentou que tanto a corporação quanto o ministro teriam agido ilegalmente contra Alexandre de Moraes. “Na realidade, o relator nem sequer detém competência para dirigir as ações policiais contra alvos que resolva mirar. Quem investiga, na fase pré-processual é polícia judiciária, cabendo ao Ministério Público, como órgão de acusação, com a titularidade única para propor a ação penal, igualmente buscar elementos de convicção”, enfatizou Gonet em seu parecer.