BC Avalia Conectar Pix a Sistemas Internacionais e Lida com Críticas dos EUA
O Banco Central do Brasil (BC) está explorando ativamente a possibilidade de integrar o Pix a sistemas de pagamentos instantâneos de outras nações. Essa iniciativa, detalhada no Relatório de Gestão do Pix 2023-2025, visa a tornar as transações internacionais mais eficientes e econômicas, tanto para remessas quanto para compras no exterior.
A análise ocorre em um cenário de atritos comerciais com os Estados Unidos. Recentemente, o Pix foi incluído em uma lista de práticas comerciais brasileiras que o Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) questionou. O órgão americano apontou que a estrutura do BC, que atua como regulador e, ao mesmo tempo, como proprietário e operador do Pix, poderia conferir vantagens indevidas ao sistema nacional em detrimento de empresas americanas de pagamentos eletrônicos.
O alcance e o impacto do Pix no Brasil são notáveis, com transações movimentando impressionantes R$ 35 trilhões. Esse valor, equivalente a cerca de US$ 6,3 trilhões, o colocaria como a terceira maior economia do mundo se fosse considerado um Produto Interno Bruto (PIB) nacional, superando a economia alemã em cerca de 25%. A obrigatoriedade de adoção do sistema por instituições financeiras é um dos pontos que geram debate e contribuem para o incômodo internacional.
Comparativo com Sistemas Americanos: FedNow e Zelle
Em meio às discussões, figuras políticas brasileiras, como os filhos do ex-presidente Jair Bolsonaro, Eduardo e Flávio Bolsonaro, sugeriram comparar o Pix com sistemas de pagamento instantâneo americanos, como o FedNow e o Zelle, na tentativa de amenizar a crise diplomática. O Zelle, operado por um consórcio de bancos nos EUA, e o FedNow, gerido pelo Federal Reserve, foram mencionados como possíveis modelos de comparação.
Diferenças Fundamentais Entre Pix e FedNow
No entanto, o FedNow apresenta diferenças significativas em relação ao Pix. Embora ambos permitam transações rápidas e contínuas, a adesão ao FedNow é opcional para bancos e cooperativas de crédito americanas, que decidem se oferecerão o serviço aos seus clientes. O Federal Reserve não disponibiliza um aplicativo direto ao público nem mantém contas para pessoas físicas, ao contrário do modelo brasileiro.
No Brasil, o Banco Central não apenas regula, mas também opera a infraestrutura do Pix, incluindo funcionalidades e chaves de identificação. A participação de certas instituições financeiras é obrigatória. Adicionalmente, o Pix é, em sua maioria, gratuito para pessoas físicas, enquanto o FedNow cobra taxas das instituições participantes, que podem repassar esses custos aos consumidores finais.
Zelle: Um Modelo Distante do Pix Internacional
O Zelle se distancia ainda mais do conceito do Pix. Trata-se de uma rede privada destinada primariamente a transferências entre clientes de bancos nos Estados Unidos. Para utilizar o Zelle, tanto o remetente quanto o destinatário precisam ter contas bancárias americanas, o que inviabiliza seu uso direto para remessas internacionais, um dos objetivos da expansão do Pix.