Irã critica “Otan Islâmica” e aponta desconfiança em aliados dos EUA
O regime do Irã expressou nesta segunda-feira (10) uma visão crítica sobre a recém-formada aliança de defesa entre Arábia Saudita, Turquia e Paquistão, apelidada de “Otan Islâmica”. Segundo Teerã, a criação deste pacto militar é um claro indicativo de que esses países, historicamente aliados dos Estados Unidos no Oriente Médio, já não depositam mais confiança na capacidade de Washington em garantir sua segurança.
As declarações foram feitas pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores do Irã, Esmaeil Baqaei, durante uma coletiva de imprensa. Ele interpretou o acordo como um reflexo de uma “mudança na percepção” em relação aos Estados Unidos, sugerindo que os parceiros americanos na região estão buscando alternativas para sua proteção.
Baqaei enfatizou que a segurança não é um bem transacionável por meio de intermediários, e que os países regionais perceberam que “não podem mais confiar na promessa de segurança oferecida pelos EUA”. Essa percepção, segundo ele, marca uma ruptura com o passado, quando tais garantias eram mais valorizadas.
Teerã vê acordo como sinal de autonomia regional
O porta-voz iraniano destacou que o Irã não vê motivos para preocupação com a nova aliança, citando os “profundos laços religiosos, históricos e civilizacionais” que unem Teerã à Arábia Saudita, Turquia e Paquistão. Essa proximidade cultural e histórica, segundo Baqaei, afastaria a possibilidade de o tratado ser direcionado contra os interesses iranianos.
Contexto de tensões crescentes no Oriente Médio
As declarações surgem em um cenário de intensificação de conflitos na região. Desde o início da guerra contra os Estados Unidos e Israel, o Irã tem intensificado ataques contra países que abrigam bases americanas. Embora Teerã afirme que os alvos são estritamente militares, relatos indicam que infraestruturas civis também têm sido atingidas.
Arábia Saudita muda postura e parte para ofensiva
Recentemente, a Arábia Saudita alterou sua estratégia, passando de uma postura defensiva para ações ofensivas. O país tem atacado os houthis do Iêmen, que haviam imposto um bloqueio a navios comerciais sauditas no Mar Vermelho, além de outros grupos aliados ao Irã dentro do Iraque. Essa mudança reflete a crescente assertividade regional e a busca por soluções de segurança autônomas.