Disputa entre Flávio Dino e jornalista Luíz Pablo se intensifica com operação no STF
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou uma nova operação contra uma fonte do jornalista maranhense Luíz Pablo. Este é o mais recente capítulo de uma longa disputa que envolve o comunicador e o ministro Flávio Dino, que já se estende por anos.
O caso teve início com reportagens sobre veículos utilizados por Dino e evoluiu para uma investigação sobre a atuação do próprio jornalista, culminando na ação determinada pelo STF. A situação expõe as tensões políticas no Maranhão e o papel do judiciário em disputas informacionais.
A operação desta terça-feira (11) visa apurar o repasse de informações sigilosas ao jornalista, em um contexto de acirrada disputa política entre grupos rivais no estado. Conforme informação divulgada pelo STF, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se favoravelmente à ação.
O histórico da disputa judicial entre Dino e o jornalista
Luíz Pablo, que mantém um blog focado na política do Maranhão, já enfrentou Flávio Dino na justiça em 2016. Na época, quando Dino era governador, ele processou o jornalista por danos morais. O resultado foi a condenação de Luíz Pablo ao pagamento de R$ 10 mil em indenização, valor que foi posteriormente mantido pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ).
A fase atual da querela começou após o jornalista publicar reportagens que questionavam o uso de veículos do Tribunal de Justiça do Maranhão (TJMA) por Flávio Dino e seus familiares. O STF, em sua defesa, informou que os automóveis em questão faziam parte da estrutura de segurança disponibilizada ao ministro.
Operação do STF mira fonte de Luíz Pablo em meio a cenário político turbulento
Em março deste ano, Moraes já havia autorizado uma operação de busca e apreensão na residência de Luíz Pablo, resultando na apreensão de celulares, um computador e outros equipamentos. O STF esclareceu que essa ação não estava ligada ao inquérito das fake news, mas sim a suspeitas de divulgação de informações sobre a rotina e segurança de Dino.
A análise do material apreendido pela Polícia Federal levou à identificação de Raimundo Soares Cutrim como uma das fontes de Luíz Pablo. Cutrim, que já foi deputado estadual, delegado aposentado da PF e ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, ocupou recentemente um cargo no governo de Carlos Brandão (MDB-MA).
O grupo político de Brandão é o mesmo que rompeu com o grupo de Flávio Dino, evidenciando o **acirramento da disputa política** no estado. A nova operação, desta vez contra Cutrim e outro investigado, apreendeu equipamentos eletrônicos nos endereços dos alvos, segundo a investigação.
Contexto político e outras ações envolvendo Cutrim
A operação ocorre em um momento de **intensa rivalidade política** entre os grupos de Flávio Dino e Carlos Brandão no Maranhão. Os dois foram aliados durante os governos de Dino, mas posteriormente romperam e se tornaram adversários no cenário estadual.
Raimundo Soares Cutrim foi alvo de uma decisão de Dino em outro processo no mês passado. O ministro determinou busca e apreensão, afastamento do cargo e prisão domiciliar de Cutrim em uma investigação distinta, relacionada a suspeitas de coação e obstrução da Justiça. Essa apuração, contudo, não tem relação formal com as reportagens de Luíz Pablo sobre os veículos.
As ações de Flávio Dino no Supremo Tribunal Federal já alcançaram outros integrantes do grupo político ligado a Carlos Brandão. Decisões anteriores envolveram a indicação de nomes para o Tribunal de Contas do Maranhão e investigações sobre familiares do governador, o que contribuiu para o **aprofundamento da disputa política** no estado.