Caiado rejeita qualquer aliança com Lula e expõe divergência interna no PSD
O governador de Goiás e candidato à Presidência, Ronaldo Caiado (PSD), declarou enfaticamente que não apoiará Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em nenhuma circunstância, nem mesmo em um eventual segundo turno. A declaração surge como uma resposta direta às afirmações de Gilberto Kassab, presidente nacional do PSD e candidato a vice na chapa de Caiado.
Dois dias antes, Kassab havia sugerido que partidos do Centrão já estariam atuando em favor da reeleição de Lula, classificando a candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) como sem chances de vitória. Caiado, contudo, rechaçou veementemente essa perspectiva em suas redes sociais.
“Em nenhuma hipótese, em nenhum cenário, em nenhum turno, eu estarei ao lado de Lula ou do PT”, escreveu Caiado, reforçando que seu objetivo é justamente retirar o PT do poder e oferecer uma alternativa de direita desvinculada do bolsonarismo. A posição de Caiado evidencia uma clara divergência estratégica dentro do próprio PSD.
Caiado reforça oposição histórica ao PT
Em sua manifestação, Ronaldo Caiado utilizou sua trajetória política de quase quatro décadas como argumento para sua firme oposição ao PT. Ele relembrou sua participação nas eleições presidenciais de 1989, quando disputou contra Lula, e manteve-se na oposição nas disputas subsequentes.
O governador também destacou seu envolvimento no processo de impeachment de Dilma Rousseff (PT) em 2016 e sua campanha contra o retorno de Lula ao Planalto em 2022. “São trinta e sete anos, dez eleições presidenciais e um impeachment. Nunca houve um ano em que eu estivesse do outro lado”, afirmou, detalhando seu compromisso para 2026: “Não há acordo, não há negociação, não há segundo turno em que isso aconteça.”
Kassab aposta em maior tempo de TV para Caiado
Gilberto Kassab, por sua vez, argumentou que a desistência de outros partidos de lançarem candidaturas próprias à Presidência, como MDB, PP, União Brasil e Republicanos, beneficia a chapa do PSD. Segundo ele, essa movimentação amplia significativamente o tempo de propaganda eleitoral de Caiado, que saltaria de cerca de 50 segundos para quase 2 minutos e 20 segundos.
Kassab mantém a confiança na candidatura de Caiado como uma alternativa competitiva na centro-direita, citando pesquisas internas do PSD que, segundo ele, mostram um desempenho superior ao divulgado publicamente. O dirigente considera que o aumento do tempo de TV será crucial para apresentar Caiado ao eleitorado nacional.
Reações de outros candidatos à direita
A fala de Kassab gerou reações imediatas de outros pré-candidatos e figuras políticas alinhadas à direita. Flávio Bolsonaro defendeu a união das forças de direita contra o PT, declarando que sua candidatura visa “resgatar o Brasil do cativeiro”.
Romeu Zema, governador de Minas Gerais, também se manifestou, afirmando que, contra o PT, votaria “até num copo” e que apoiaria qualquer candidato que enfrentasse Lula em um eventual segundo turno. O senador Rogério Marinho (PL-RN), coordenador da campanha de Flávio Bolsonaro, criticou o PSD de Kassab, classificando o partido como “linha auxiliar” do governo Lula e questionando a candidatura de Caiado devido à presença de ministros do PSD na atual administração federal.
Disputa pela centro-direita e o desafio de Caiado
A estratégia de Kassab posiciona Caiado em uma disputa delicada. Ele precisa conquistar o eleitorado de direita sem se associar diretamente ao bolsonarismo, ao mesmo tempo em que se distancia de qualquer possibilidade de acordo com Lula, uma hipótese que seu próprio vice passou a considerar como uma tendência entre os partidos do Centrão. O aumento do tempo de TV é visto como uma ferramenta essencial para que Caiado possa apresentar suas propostas e consolidar sua imagem como uma alternativa viável.