Escalada de tensão no STF: Gilmar Mendes e Nunes Marques trocam farpas por WhatsApp
Uma troca de mensagens ríspida pelo aplicativo WhatsApp expôs um embate acirrado entre os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes e Kassio Nunes Marques. As conversas, que ocorreram na véspera de um julgamento importante na Segunda Turma da Corte, revelam cobranças e ofensas direcionadas por Gilmar Mendes a seu colega.
O cerne da discórdia parece residir em questionamentos sobre a imparcialidade de Nunes Marques e do ministro Luiz Fux em relação ao afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Gilmar Mendes expressa forte descontentamento com o posicionamento dos dois ministros.
As mensagens, obtidas pela Gazeta do Povo e datadas de 8 de setembro, indicam que Gilmar Mendes chegou a exigir a abertura de contas por parte de Nunes Marques e solicitou seu afastamento da presidência do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A reportagem detalha os diálogos tensos entre os magistrados.
Gilmar Mendes questiona imparcialidade e faz exigências
Nos diálogos, Gilmar Mendes acusa Nunes Marques e Luiz Fux de serem “servis” e “submissos” em relação ao caso em questão. Ele sugere que ambos “assumam que estão ferrados e saiam dos processos”, além de reiterar o pedido para que “abram as contas”. A fala de Gilmar Mendes demonstra um tom de indignação e pressão.
Em resposta direta às cobranças, Nunes Marques reage com firmeza, afirmando: “Me respeite Gilmar, isso não é postura”. Ele deixa claro seu desagrado com a forma como está sendo tratado e declara que não dialoga com quem não lhe demonstra respeito, respondendo à provocação de Gilmar com um direto: “Então não me tecle pois não falo com que não me respeita”.
Nunes Marques rebate e Gilmar Mendes insiste em “tramoias”
A troca de mensagens continua com Gilmar Mendes insistindo na abertura de contas por parte de Kassio Nunes Marques antes de julgar qualquer assunto da turma. Nunes Marques, por sua vez, afirma que “abre com o maior prazer” e que há 15 anos presta contas de tudo como juiz. Ele parece não ceder às pressões diretas.
Gilmar Mendes, ao final, declara o “papo encerrado” e usa a expressão “marmelada não dá”, sugerindo que percebe alguma irregularidade ou falta de lisura. Ele ainda menciona ter conversado com Fux e afirma entender “de malandro”, insinuando que percebe “tramoias” nas ações dos colegas.
Caso Master e tensões nos bastidores do STF
O embate entre os ministros do STF foi motivado pelas tensões em torno da condução do chamado **caso Master**. Desdobramentos dessa situação geraram divergências agudas nos bastidores da Corte, culminando nesta troca de mensagens. A atuação de Nunes Marques e Luiz Fux foi classificada como “servil” por Gilmar Mendes, que chegou a exigir o afastamento de Kassio de processos no STF e de suas funções no TSE.
A atmosfera de **tensão no STF** parece ter se intensificado com este episódio, levantando questões sobre a relação entre os ministros e a condução de julgamentos importantes na mais alta corte do país. A exigência de abertura de contas e o pedido de afastamento de Nunes Marques da presidência do TSE são pontos particularmente graves na discussão.
Respostas e acusações marcam o conflito entre ministros
A comunicação, registrada no dia 8 de setembro, evidencia um **conflito entre ministros do STF** que vai além das divergências técnicas. As palavras “servil”, “submisso” e “tramoias” denotam um nível de acusação pessoal e desconfiança que chocou até mesmo o ministro Luiz Fux, que teria respondido a Gilmar Mendes com um direto: “Cuide de não encher meu saco!”.
A forma como Gilmar Mendes se dirigiu a Nunes Marques, questionando sua imparcialidade e fazendo exigências explícitas, como a abertura de contas, demonstra um **desgaste na relação entre os magistrados**. A situação levanta debates sobre a ética e a conduta esperada de membros do Supremo Tribunal Federal.