Lava Jato: Investigação contra Eduardo Cunha por propina em Furnas chega ao STF com Mendonça

Lava Jato: Investigação contra Eduardo Cunha por propina em Furnas chega ao STF com Mendonça

Resumo

Investigação da Lava Jato sobre Eduardo Cunha e Furnas é distribuída a André Mendonça no STF

Uma investigação da operação Lava Jato que apura suspeitas de recebimento de propina pelo ex-presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (Republicanos), em contratos com a Furnas Centrais Elétricas, foi remetida ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça. A decisão marca um novo passo em um caso complexo que envolve delações premiadas e movimentações financeiras.

As apurações sugerem que Eduardo Cunha seria o beneficiário final de valores desviados em um esquema que envolvia a estatal. A investigação se baseia em relatos que detalham negociações e recebimento de propina, com posterior distribuição entre um grupo político ligado ao ex-deputado. A origem dessas informações remonta a delações premiadas de figuras centrais em escândalos de corrupção.

O caso, que começou com a força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro em 2019, passou por diversas instâncias antes de chegar ao STF. O Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) e a Justiça Estadual declinaram da competência, entendendo que os fatos atribuídos a Cunha, ocorridos durante seu mandato como deputado federal, justificariam o foro privilegiado no STF. A informação foi divulgada pelo G1.

Delações apontam Eduardo Cunha como destinatário de propina em Furnas

Conforme a delação premiada do doleiro Lú **Cio Funaro**, o empresário **Benjamin Katz** seria o responsável por negociar e receber a propina. Esses valores, segundo Funaro, seriam posteriormente distribuídos por Eduardo Cunha para seu grupo político. O esquema envolveria contratos firmados entre a Furnas e empresas, levantando suspeitas de favorecimento ilícito.

Funaro também relatou que houve uma retaliação contra a empresa **Engevix Engenharia** quando esta se recusou a pagar o montante exigido. O ex-parlamentar teria agido contra os interesses da Engevix em suas áreas de influência. A empresa possuía contratos com a Furnas que, somados, atingiam R$ 177 milhões, o que aumenta a relevância das investigações sobre esses acordos.

Empresário afirma que Engevix pagou R$ 1 milhão a Cunha para obter negócios

Em outra delação, datada de 2016, o empreiteiro **Jos é Antunes Sobrinho**, então sócio da Engevix, afirmou que a empresa teria obtido novos negócios com a Furnas após realizar pagamentos. Segundo o relato, foram pagos R$ 1 milhão diretamente a Eduardo Cunha e mais R$ 2,5 milhões ao Partido Liberal (PL), à época chamado PR. Essas declarações são cruciais para a investigação em curso.

Na ocasião das primeiras acusações, Eduardo Cunha negou veementemente os fatos, desmentindo as alegações e desafiando seus acusadores a apresentarem provas concretas. A defesa do ex-deputado tem sido, historicamente, de refutar as acusações apresentadas em diferentes processos derivados da Lava Jato.

Movimentações financeiras e sistema clandestino de envio de valores

Os documentos analisados pela investigação mencionam uma ordem de Benjamin Katz para o envio de US$ 2 milhões da **Odebrecht** e US$ 650 mil de outros clientes para as **Ilhas Cayman**. O método utilizado seria o “dólar-cabo”, um sistema financeiro clandestino que permite a movimentação de dinheiro para o exterior sem o controle oficial do Banco Central. Esse tipo de transação levanta sérias questões sobre lavagem de dinheiro.

É importante notar que, nos últimos anos, o STF tem anulado decisões e provas em diversos processos originados da Lava Jato. Casos notórios incluem a anulação das condenações de Luiz Inácio Lula da Silva e o reconhecimento da suspeição do ex-juiz Sergio Moro. Mais recentemente, em 2023, o ministro Dias Toffoli declarou imprestáveis provas obtidas por meio dos sistemas Drousys e My Web Day B, usados no acordo de leniência da Odebrecht.

Trajetória do caso: da Lava Jato ao STF

Os relatos sobre as ações de Eduardo Cunha e Benjamin Katz levaram a força-tarefa da Lava Jato no Rio de Janeiro a iniciar uma nova frente de investigação em 2019, focada em aprofundar as suspeitas relacionadas aos contratos da Furnas. A intenção era esclarecer a extensão do suposto esquema de corrupção.

Em julho de 2022, o procurador Rodrigo Golí vio Pereira declinou da investigação. Ele argumentou que, por envolver a Furnas, uma sociedade de economia mista, não haveria interesse da União que justificasse a competência da Justiça Federal. O caso, então, foi encaminhado ao Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).

Posteriormente, em maio de 2026, o juiz Renan de Freitas Ongaratto analisou a matéria sob a ótica do novo entendimento do Supremo sobre foro privilegiado. Como os fatos atribuídos a Cunha teriam ocorrido durante seu exercício como deputado federal, o magistrado decidiu que a competência era do STF e determinou a remessa dos autos à Corte. O caso formalmente chegou ao Supremo em 28 de agosto.

A reportagem tentou contato com a defesa de Eduardo Cunha, mas não obteve resposta até o momento. A defesa de Benjamin Katz também não foi localizada. O espaço permanece aberto para manifestações.

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