Janja homenageia Marisa Letícia e se declara a única primeira-dama que “trabalha efetivamente” no Brasil
A primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, prestou uma **homenagem emocionante** à sua antecessora e esposa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Marisa Letícia, falecida em 2017. A declaração ocorreu durante o lançamento da campanha de reeleição de Lula em São Bernardo do Campo, no último domingo (16).
Ainda repercutem as declarações de Janja, feitas no mês passado, de que o Brasil **”nunca teve uma primeira-dama que trabalhasse efetivamente”** antes dela. Em entrevista ao programa Frente a Frente, parceria entre UOL e Folha de S.Paulo, a socióloga afirmou que sua atuação tem sido alvo de críticas por ser algo inédito para a sociedade e a imprensa.
“Quase todo dia eu vou para o Planalto, faço reunião, tenho agenda, viajo a trabalho. A sociedade brasileira, de modo geral, e a imprensa também não estavam acostumadas com isso. Recebi muita crítica por parte da imprensa”, disse Janja, que se considera mais requisitada pela imprensa internacional.
Marisa Letícia, o “alicerce” das lutas trabalhistas
Em seu discurso, Janja ressaltou o papel fundamental de Marisa Letícia e outras mulheres nos bastidores das greves do ABC Paulista em 1979. Ela descreveu essas mulheres como o **”alicerce”** para que seus maridos, sob a liderança de Lula, pudessem lutar por melhores salários e dignidade.
“Gostaria de lembrar especialmente de uma Silva, presidente [Lula], dona Marisa. Ela que, junto a outras tantas mulheres que não estavam no chão da fábrica em 79, que não eram líderes sindicais naquele momento, tiveram um papel essencial nos bastidores”, declarou Janja.
A primeira-dama enfatizou que essas mulheres, lideradas por Marisa, foram uma **”força importante e são pouco lembradas”**. Ela também destacou um feito histórico de Marisa Letícia: **”foi ela quem bordou a primeira bandeira do PT”**, dedicando a ela sua admiração.
Janja se vê como a “única primeira-dama que trabalha efetivamente”
A declaração de Janja sobre ser a única primeira-dama a trabalhar efetivamente gerou controvérsia. Segundo ela, essa nova dinâmica de atuação tem sido recebida com estranhamento e críticas, especialmente pela imprensa nacional.
“A imprensa nacional gosta da fofoca que ocorre no entorno, do off, mas realmente não quer saber meu trabalho como embaixadora da FAO [Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura], não quer saber do trabalho do Pacto contra o Feminicídio”, reclamou.
Janja classificou as críticas sobre seus gastos em agendas internacionais como uma **”estratégia da extrema-direita”** e **”misoginia pura”**, especialmente após o governo regulamentar a atuação da primeira-dama em agendas nacionais e internacionais.