Greve no IBGE: Servidores Cruzam os Braços Contra Gestão de Márcio Pochmann e Cobram Diálogo e Salário

Greve no IBGE: Servidores Cruzam os Braços Contra Gestão de Márcio Pochmann e Cobram Diálogo e Salário

Resumo

Servidores do IBGE deflagram greve nacional contra gestão de Márcio Pochmann e exigem diálogo

Servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) iniciaram uma greve nesta segunda-feira, 17 de junho, em protesto contra a administração do presidente Márcio Pochmann. A paralisação, que já afeta unidades no Rio de Janeiro e na Bahia, reflete um crescente clima de tensão e descontentamento entre a categoria e a cúpula do órgão.

A principal reivindicação dos trabalhadores é a abertura de canais de diálogo e a negociação de pautas importantes, como reajuste salarial e melhores condições de trabalho. A greve representa um marco na escalada de atritos que têm marcado a gestão de Pochmann desde sua posse, prometendo atender às demandas da categoria.

A adesão à greve se expande, com outras unidades indicando paralisação e diversas outras em estado de greve, demonstrando a insatisfação generalizada. Conforme divulgado pelo sindicato que representa os trabalhadores da autarquia, a situação exige uma resposta imediata da presidência para evitar maiores prejuízos às atividades do IBGE.

Núcleos aderem à paralisação e outros preparam greve

De acordo com o sindicato, a greve iniciada nesta segunda-feira já conta com a adesão de três núcleos do IBGE: a sede e a Dipeq no Rio de Janeiro, além de uma unidade na Bahia. Outras duas unidades, no Mato Grosso e no Pará, têm indicativo de greve. A mobilização é ainda maior com Sergipe, Piauí, Mato Grosso do Sul, Rio Grande do Sul, Paraná, e as unidades do Chile e Canabarro, ambas no Rio de Janeiro, em estado de greve.

Pautas Prioritárias: Salário, Condições de Trabalho e Gestão Democrática

A pauta de reivindicações dos servidores do IBGE é extensa e aborda pontos cruciais para o bem-estar e a eficiência da autarquia. Entre as principais demandas, destacam-se o compromisso com o PGD para os ingressantes do CPNU, a criação de comissões paritárias para discutir o Programa de Gestão e a experiência do concurso unificado, e o retorno dos critérios da indenização de campo. Além disso, os trabalhadores cobram reajuste e garantia de direitos para os temporários, a eleição do Comitê de Carreira e a negociação dos dias paralisados na greve do núcleo Chile. A reabertura dos canais de diálogo e a promoção de uma gestão democrática são pontos centrais.

Tensionamento na Comunicação e Críticas à Gestão Pochmann

O clima de tensão não é novo. Em julho, a Diretoria de Geociências do IBGE emitiu um comunicado restringindo a comunicação interna, com hierarquias rígidas e ameaças de punição para quem desobedecesse. O comunicado estabelecia que “Servidores falarão com gerentes, gerentes falarão com coordenadores, coordenadores falarão com diretores, diretores falarão com diretores e diretores falarão com o presidente”. A nota também alertava que “Mesmo que discorde ou considere a decisão ineficiente, o servidor deve cumprir. A recusa injustificada inclusive configura falta disciplinar, pois viola os deveres de lealdade, urbanidade e respeito aos níveis hierárquicos da administração pública”.

A gestão de Márcio Pochmann tem sido marcada por desentendimentos crescentes. Após assumir a presidência com a promessa de atender às reivindicações da categoria, como a realização de um congresso institucional, Pochmann substituiu a proposta pelo projeto “Diálogos IBGE”. Este projeto foi rejeitado pelo sindicato, que o considerou uma deturpação do formato pretendido para um planejamento estratégico. Em outro episódio de crise, sindicalistas teriam sido chamados de “bolsonaristas” após apresentarem suas reivindicações ao presidente durante as comemorações de aniversário do Instituto. Para os sindicatos, o presidente “recorre ao vocabulário crítico e progressista enquanto, na prática, tenta deslegitimar a organização coletiva e esvaziar a capacidade de resistência de quem ousa discordar”.

O IBGE foi procurado para comentar sobre os atritos com os servidores, mas não retornou até a publicação desta matéria.

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