Obra de grande porte em Florianópolis busca reduzir congestionamentos históricos e aumentar a segurança viária.
Florianópolis está prestes a receber uma intervenção viária significativa, orçada em R$ 26,59 milhões, com o objetivo de solucionar um dos gargalos mais críticos do trânsito na capital catarinense. O projeto se concentra no cruzamento que conecta o centro da cidade ao norte da ilha, especialmente na rota para os bairros da bacia do Itacorubi.
A obra, com previsão de execução em 18 meses, promete redesenhar o acesso à SC-401 e ao Itacorubi, região que abriga universidades e serve de passagem para a famosa Lagoa da Conceição. A expectativa é de um trânsito mais fluido e seguro para os milhares de motoristas que circulam diariamente pela região.
O principal foco é a construção de um novo viaduto na área do Centro Integrado de Cultura (CIC), a ampliação da avenida da Saudade e a criação de faixas adicionais em vias estratégicas. A iniciativa visa extinguir pontos de retenção e diminuir o número de acidentes, muitos deles causados pela necessidade de veículos com destinos distintos dividirem o mesmo acesso, conforme explicou o secretário municipal de Obras e Infraestrutura, Rafael Hahne. A prefeitura aposta na segurança como chave para destravar o trânsito, conforme informação divulgada pela própria secretaria.
Novo Viaduto e Ampliação da Avenida da Saudade para Separar Fluxos
O plano detalha a construção de um novo viaduto adjacente à estrutura existente no CIC. Essa nova via terá duas faixas exclusivas para os motoristas que se dirigem ao Itacorubi. Simultaneamente, a estrutura atual será dedicada ao fluxo em direção à SC-401, rodovia essencial para o acesso aos balneários do norte da ilha. Essa separação antecipada dos trajetos busca evitar o entrelaçamento de veículos que hoje ocorre no mesmo acesso.
A avenida da Saudade, importante elo entre a Beira-Mar Norte e os bairros da bacia do Itacorubi, passará por uma expansão de quatro para cinco faixas, além de receber restauração em seu pavimento. Para viabilizar essa ampliação, o projeto inclui o alargamento de duas pontes sobre a área alagada próxima ao manguezal do bairro.
Mais Faixas e Adequações para Reduzir Alagamentos
A Secretaria Municipal de Infraestrutura e Manutenção também anunciou a adição de uma faixa na marginal da Beira-Mar Norte e uma quinta faixa em frente ao teatro do CIC. Na avenida Professor Henrique da Silva Fontes, na Trindade, haverá uma reorganização da faixa da direita para o acesso ao Itacorubi e uma nova ligação entre os viadutos, beneficiando quem vem da região universitária e segue para a SC-401.
Além das melhorias no fluxo, o projeto prevê adequações na via para mitigar os efeitos das marés e reduzir os alagamentos recorrentes na área. Essas inundações afetam veículos, pedestres e ciclistas, impactando a mobilidade urbana.
Especialistas Divergem Sobre a Eficácia da Obra para Reduzir Congestionamentos
Apesar do otimismo da prefeitura, a promessa de desafogar o trânsito não é um consenso entre todos os especialistas. Gustavo Pires de Andrade Neto, professor de Arquitetura e Urbanismo da Udesc, pondera que a separação dos fluxos pode melhorar a circulação em certos horários, mas não garante, isoladamente, uma redução significativa no tempo total de deslocamento pela cidade.
Andrade Neto ressalta que o problema pode simplesmente migrar para outros gargalos. Ele argumenta que aumentar a capacidade de uma via só é eficaz se as vias subsequentes também tiverem sua capacidade expandida. O foco, segundo ele, deveria ser no tempo total do percurso, não apenas na velocidade de saída do viaduto.
O urbanista também alerta para o risco de demanda induzida, onde o alargamento de vias, a longo prazo, pode estimular o uso de mais automóveis. Para ele, obras viárias devem ser complementadas por alternativas de transporte público, como corredores exclusivos de ônibus, integração entre modais, redes cicloviárias contínuas e melhores condições para pedestres, visando diminuir a dependência do carro.
Integração com Outras Obras e Visão Crítica sobre Mobilidade
A intervenção no CIC se conecta a outras frentes de melhoria na mobilidade de Florianópolis, como a triplicação da SC-401 e obras previstas para ampliar faixas da SC-404, na direção da Lagoa. O secretário Hahne acredita que essa integração evitará que o ganho obtido na nova obra se torne um novo ponto de retenção.
No entanto, o professor Andrade Neto critica a estratégia, que, segundo ele, reforça a prioridade dada ao transporte individual motorizado. Ele não descarta a necessidade de obras viárias, mas as vê como parte de uma solução mais ampla, e não como a única estratégia de mobilidade. A prefeitura ainda não apresentou estimativas concretas sobre a redução no tempo de viagem ou no número de acidentes após a conclusão da obra.