Domínio Criminal no Brasil: Um Panorama Alarmante com Milhões de Vidas Afetadas
Amplas áreas do território nacional estão sob o controle de grupos criminosos armados, gerando cenas de confronto e insegurança. A infiltração na política e na economia formal, com lavagem de bilhões de dólares, levanta o debate sobre a possibilidade de o Brasil se tornar um “narcoestado”.
Enquanto autoridades buscam soluções, o crime organizado avança. Pesquisas recentes indicam que, se medidas urgentes não forem tomadas, a reversão desse quadro pode se tornar impossível em breve. A percepção da população sobre a extensão do problema é um alerta crucial.
Um estudo da Universidade Britânica de Cambridge, publicado em agosto de 2025, revela que entre 50,6 e 61,6 milhões de brasileiros vivem em locais com regras próprias, ditadas por facções criminosas. Isso representa entre 25% e 30% da população nacional, segundo o Censo do IBGE. Conforme informação divulgada pela universidade britânica de Cambridge e publicada na revista científica Perspectives on Politics, “uma população entre 50,6 milhões a 61,6 milhões de pessoas no Brasil vive em locais que possuem regras diferentes das vigentes para os demais cidadãos”.
Alcance e Percepção do Crime Organizado no País
Outra pesquisa, realizada pelo Datafolha em outubro do ano passado, aponta um número ligeiramente menor, mas ainda alarmante: pelo menos 28 milhões de brasileiros vivem sob o jugo de facções criminosas ou milícias. Este número representa um aumento de cinco pontos percentuais em apenas um ano. A presença dessas organizações criminosas alcançou a vizinhança de 19% da população, segundo estudo encomendado pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A pesquisa ouviu 2.007 pessoas com 16 anos ou mais em 130 municípios, com margem de erro de dois pontos percentuais.
A pesquisa do Fórum Brasileiro de Segurança Pública indicou que a presença de facções e milícias é mais frequente em grandes cidades, capitais e na região Nordeste. Curiosamente, tanto cidadãos de classes mais altas quanto mais baixas relataram, com similar frequência, a presença do crime organizado em seus bairros. Aqueles que se sentem afetados pela criminalidade organizada também relatam com mais frequência o conhecimento sobre cemitérios clandestinos e a presença de grandes grupos de usuários de drogas em seus trajetos diários.
Violência como Principal Preocupação Nacional
Para o Fórum de Segurança Pública, os dados reforçam a necessidade de melhor coordenação entre órgãos de segurança e a criação de políticas duradouras de combate ao crime. O fenômeno de crescimento e ampliação do poder das facções no controle territorial e de mercados é evidente. A percepção generalizada de que o crime organizado tomou conta do cotidiano nas cidades brasileiras é confirmada por diversos levantamentos, como a pesquisa Quaest divulgada em novembro.
Segundo a Quaest, a violência se consolidou como a maior preocupação dos brasileiros, sendo citada por 38% dos entrevistados. Este índice é o mais alto desde outubro de 2024, representando um aumento de oito pontos percentuais em relação à rodada anterior. A pesquisa ouviu 2.004 pessoas em 120 municípios entre os dias 6 e 9 de novembro, após uma megaoperação no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro, que resultou em 121 mortes. O nível de confiança da pesquisa é de 95% e a margem de erro é de dois pontos percentuais.
Em agosto de 2023, apenas 10% dos brasileiros consideravam a violência o principal problema do país, enquanto a economia liderava com 31%. Em pouco mais de dois anos, a violência escalou 28 pontos percentuais, tornando-se a principal preocupação nacional na opinião dos entrevistados. Isso demonstra uma mudança significativa no cenário de preocupações da população brasileira.
Aumento Exponencial das Facções Criminosas no Brasil
Apesar de uma pequena redução na taxa de homicídios por 100 mil habitantes entre 2022 e 2023, atingindo o menor índice dos últimos 11 anos (21,2 para cada 100 mil), o Brasil registrou 45.747 homicídios nesse período, uma média superior a 125 por dia. Os menores índices de homicídio concentram-se nas regiões Sul, São Paulo, Distrito Federal e Minas Gerais, enquanto as maiores taxas se encontram no Norte e Nordeste, conforme o Atlas da Violência 2025 do Ipea e do Fórum Brasileiro de Segurança Pública.
Um relatório de Inteligência da Secretaria Nacional de Políticas Penitenciárias (Senapen) do Ministério da Justiça, de final de 2024, aponta a existência de pelo menos 88 facções criminosas no Brasil. Duas delas, o Comando Vermelho (CV) e o Primeiro Comando da Capital (PCC), são hegemônicas, com atuação em praticamente todo o território nacional e envolvimento no tráfico internacional de drogas. Em 2019, o Fórum de Segurança Pública identificava apenas 37 facções criminosas, indicando um crescimento de cerca de 237% em cinco anos, o que agrava o cenário de **domínio do crime** no país.