Advogado denuncia falta de empatia com famílias que perdem bebês na gravidez, após tragédia com filho do presidente do Equador

Advogado denuncia falta de empatia com famílias que perdem bebês na gravidez, após tragédia com filho do presidente do Equador

Resumo

Luto Gestacional: A Urgente Necessidade de Empatia e Apoio Institucional no Brasil

A recente perda do filho do presidente equatoriano, Daniel Noboa, e sua esposa, Lavinia Valbonesi, trouxe à tona um debate crucial sobre a **falta de empatia** com famílias que sofrem a dor da perda gestacional. Comentários insensíveis nas redes sociais, questionando a nomenclatura da perda ou sugerindo que o assunto deveria ser privado, revelam uma profunda desconexão com o sofrimento dessas famílias.

O advogado Pablo Proaño, do escritório Dignidad y Derecho, criticou veementemente essa postura, destacando que a dor da perda de um filho, independentemente da idade gestacional, gera um profundo impacto psicológico e social. Ele ressalta que a expectativa e o vínculo com o bebê já se estabelecem muito antes do nascimento.

A Organização Mundial da Saúde estima que 1 em cada 4 mulheres vivenciem a perda gestacional. Diante dessa estatística alarmante, Proaño defende a criação de **protocolos de apoio institucionais e um maior reconhecimento social**, incluindo o ambiente de trabalho, para amparar essas famílias em seu processo de luto. As informações foram divulgadas pela ACI Prensa.

A Dor da Perda Gestacional e a Falta de Reconhecimento Social

Para Proaño, a reação a notícias sobre perdas gestacionais evidencia uma **significativa falta de compreensão e empatia**. Ele observa que muitos reduzem a perda a um mero embrião ou feto, desconsiderando o vínculo afetivo e a expectativa que os pais já desenvolveram. Essa minimização da dor contribui para o isolamento e o sofrimento das famílias enlutadas.

O advogado enfatiza que, independentemente da etapa da gestação, os pais já criam uma **forte expectativa e um vínculo emocional** com o bebê. A perda pode gerar um impacto psicológico severo e efeitos de longo prazo, influenciando futuras decisões sobre ter mais filhos. O reencontro com outras mães com bebês, por exemplo, pode ser um gatilho doloroso.

Protocolos de Apoio e a Importância da Sensibilidade Médica

Proaño defende a implementação de **protocolos de apoio nos sistemas de saúde**, como os conhecidos “protocolos borboleta” em alguns países latino-americanos. Nestes, um símbolo de borboleta na cabeceira da paciente alerta a equipe médica para uma abordagem mais sensível e cuidadosa, evitando frases insensíveis ou a exposição da mãe a situações que agravem seu sofrimento, como a ala de maternidade.

Ele sugere que essas pacientes recebam quartos separados e uma identificação discreta, para que a equipe de saúde evite perguntas inadequadas, como “Onde está seu bebê?”. O acompanhamento psicológico também é considerado fundamental neste processo.

Direitos Trabalhistas e o Luto Prolongado

No Equador, a licença por emergência familiar após uma perda gestacional é de apenas três dias, considerada insuficiente por Proaño. Ele argumenta que muitas mulheres passam por **episódios de depressão severa** e, ao retornarem ao trabalho, podem ser demitidas, pois a proteção trabalhista para gestantes não se estende nesses casos. É necessária uma reforma trabalhista para conceder mais tempo para o luto.

Questões Legais e o Respeito aos Restos Mortais

Outro ponto crucial levantado pelo advogado é a questão dos restos mortais do bebê. No Equador, até a 22ª semana de gestação, os hospitais podem descartar, doar para pesquisa ou até vender os restos fetais, o que impede os pais de realizarem um enterro e um ritual de despedida. Proaño defende que os pais devem ter o **direito de decidir sobre o destino dos restos mortais de seu filho**, recebendo informações claras e consentimento informado.

Um Desafio Cultural e a Necessidade de Conscientização

Proaño conclui que há um **desafio cultural a ser superado**, com a necessidade de campanhas de conscientização e promoção da compreensão. Ele reitera que “uma criança não nascida é uma criança”, e não apenas um feto. A sociedade precisa oferecer condolências e apoio genuíno, evitando frases que minimizem a dor, como “você pode engravidar novamente”.

O advogado propõe políticas públicas focadas em prevenção, apoio e proteção familiar, incluindo a implementação de protocolos de apoio, garantia de consentimento informado sobre o destino dos fetos e reformas trabalhistas para licenças mais longas. Além disso, ele sugere que o Estado deve priorizar essa questão como uma política pública essencial.

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