Ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, admite "sofrimento" na ilha e compara a "Gaza silenciosa", mas nega colapso

Ditador de Cuba, Miguel Díaz-Canel, admite “sofrimento” na ilha e compara a “Gaza silenciosa”, mas nega colapso

Resumo

Ditador cubano admite “sofrimento” na ilha e compara a “Gaza silenciosa”, mas nega colapso

Miguel Díaz-Canel, o líder de Cuba, reconheceu abertamente que o país atravessa um período de “sofrimento” devido à severa crise econômica e social. Em entrevista à Folha de S.Paulo, ele descreveu o cenário como “complexo”, embora tenha refutado a ideia de que a ilha esteja à beira de um colapso iminente.

Díaz-Canel concordou com a avaliação de especialistas internacionais que comparam o risco de Cuba se tornar uma espécie de “Gaza silenciosa”. No entanto, ele rejeitou a sugestão de que o regime esteja perdendo o controle da situação, enfatizando a “criatividade” e a “resistência histórica” da população cubana diante das adversidades.

A crise em Cuba, sob o regime comunista, tem impactado diretamente o cotidiano dos cidadãos, com apagões frequentes, redução drástica no transporte público, funcionamento limitado de hospitais e um aumento acentuado nos preços de alimentos e medicamentos, especialmente no mercado informal. Conforme informação divulgada pelo jornal Folha de S.Paulo, o líder cubano atribui o agravamento da situação, em parte, à pressão exercida pelos Estados Unidos.

Crise econômica e acusações aos EUA

A economia cubana tem enfrentado uma retração significativa nos últimos anos. Miguel Díaz-Canel reiterou as críticas ao governo do presidente Donald Trump, afirmando que Washington age com “perversidade” em uma tentativa de “subjugar” Cuba. O ditador cubano também admitiu que o diálogo com os Estados Unidos está “estagnado” neste momento, apesar de contatos entre os governos e de uma suposta disposição para conversar, ainda não houve avanços concretos nem uma agenda definida para negociações.

As tensões entre os EUA e Cuba se intensificaram com o endurecimento da política americana contra Havana. Em janeiro, os Estados Unidos impuseram um bloqueio ao fornecimento de petróleo à ilha e, a partir de maio, ampliaram sanções secundárias contra setores considerados estratégicos da economia cubana. O líder cubano classificou essas ações como uma tentativa de “subjugar” o país caribenho.

Medidas econômicas e a “construção socialista”

Em paralelo à crise, o regime cubano aprovou em junho um pacote com 176 medidas econômicas voltadas para a liberalização e descentralização de parte da atividade produtiva. Díaz-Canel, porém, rejeitou a interpretação de que essas mudanças representem uma abertura ao capitalismo. Ele afirmou categoricamente que as medidas não são “reformas capitalistas” e que não haverá uma “restauração capitalista” na ilha, declarando que o país está em um processo de “construção socialista”.

Segundo o líder cubano, as alterações econômicas são resultado de discussões iniciadas há mais de uma década. Até o momento, 76,1% das medidas previstas no pacote já receberam respaldo jurídico, indicando um avanço na implementação das novas diretrizes econômicas, que visam, segundo o regime, fortalecer a economia sob os princípios do socialismo.

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