Análise revela que ministros de Bolsonaro usaram jatinhos da FAB 766 vezes em 2022, superando os 703 voos de ministros de Lula no mesmo período.
A utilização de jatinhos da Força Aérea Brasileira (FAB) por ministros e autoridades tem sido um tema recorrente de debate público. Uma análise comparativa recente, divulgada com base em informações da Presidência da República, revela dados sobre os voos realizados durante os governos de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente em anos eleitorais.
Enquanto o governo Lula mantém sigilo sobre seus gastos com viagens, o número de voos de seus ministros entre janeiro e julho de 2022 foi de 703. No mesmo período de 2022, ano em que Bolsonaro disputava a reeleição, seus ministros realizaram 766 voos, indicando uma intensidade maior de deslocamentos aéreos oficiais.
Os dados, obtidos pela Lei de Acesso à Informação, permitem um olhar sobre as prioridades e os padrões de gastos em diferentes administrações. A comparação, embora focada no número de voos devido ao sigilo de Lula, lança luz sobre a transparência e a gestão dos recursos públicos em viagens de alto escalão. Conforme informação divulgada pelo blog, os números detalhados mostram um panorama intrigante sobre o uso das aeronaves da FAB.
Ministros militares e de Infraestrutura lideram gastos na era Bolsonaro
Na gestão de Jair Bolsonaro, os ministérios militares foram os que mais utilizaram os jatinhos da FAB em 2022, somando 112 voos. O Ministério da Infraestrutura, chefiado por Tarcísio de Freitas, registrou 72 voos, seguido pelo Ministério da Saúde com 75 voos e o Ministério da Justiça e Segurança Pública com 57 voos.
Outras pastas também apresentaram um número considerável de deslocamentos. O Ministério da Mulher, Família e Direitos Humanos, sob Damares Alves, realizou 46 voos. Em contraste, o Ministério do Meio Ambiente teve apenas 11 voos e o Ministério da Cidadania, um único voo, demonstrando uma variação significativa no uso das aeronaves entre as diferentes áreas do governo.
Gastos de Bolsonaro em 2022: R$ 45,76 milhões e viagens para férias
Considerando todo o mandato de Bolsonaro (2019-2022), o ano de 2022 se destacou pelos maiores gastos, totalizando R$ 45,76 milhões. As sete viagens mais caras custaram R$ 7,57 milhões e foram direcionadas a Guarujá (SP) e São Francisco do Sul (SC), locais onde o então presidente passava férias e folgas, com despesas pagas pela Presidência.
A maior parte dos gastos em 2022 foi com veículos, totalizando R$ 6,5 milhões, utilizados pela comitiva presidencial e pela segurança. Os cartões corporativos somaram R$ 3,5 milhões em despesas, e as diárias e passagens da equipe de apoio chegaram a R$ 4,7 milhões. Bolsonaro intensificou inaugurações e visitas a obras a partir do início de 2022, eventos com forte apelo eleitoral.
Viagens para eventos eleitorais e bases de apoio
As viagens para Guarujá e São Francisco do Sul custaram R$ 11,2 milhões, sendo R$ 5,5 milhões pagos com cartões corporativos e R$ 3,7 milhões com despesas de veículos. Bolsonaro também utilizava esses retiros para passeios de moto ou jet ski, sempre escoltado por seguranças.
O presidente também priorizou viagens para prestigiar cerimônias militares e eventos evangélicos, considerados sua base eleitoral mais sólida. Até o final de 2021, foram gastos R$ 14 milhões com esses deslocamentos. Um exemplo é a viagem ao Rio de Janeiro em agosto de 2020, para inauguração de escola cívico-militar e formatura de paraquedistas, que custou R$ 580 mil.
Gastos em ano eleitoral e a Lei de Acesso à Informação
Em 2022, Bolsonaro gastou R$ 7,5 milhões com viagens nacionais e internacionais até março. A viagem mais cara foi para o Carnaval no Guarujá, custando R$ 783 mil. Muitos deslocamentos foram para inaugurações e lançamentos de pedra fundamental, eventos com claro retorno eleitoral.
A visita a São José do Rio Preto (SP) para inaugurar a Travessia Urbana custou R$ 281 mil. No Rio Grande do Norte, visitas a obras e cerimônias alusivas à chegada das águas do Rio São Francisco custaram R$ 706 mil. As despesas com viagens presidenciais foram fornecidas à imprensa em atendimento a pedidos pela Lei de Acesso à Informação, garantindo maior transparência aos gastos públicos.
As férias em Guarujá e São Francisco do Sul no final de 2020 custaram R$ 2 milhões, com R$ 1,2 milhão em cartões corporativos. A equipe de segurança e assessores presentes nessas estadias também representaram custos significativos, como os R$ 66 mil em diárias apenas para militares e assessores na estadia no Forte Marechal Luz.
Em 2022, as 26 viagens de Bolsonaro tiveram um custo médio de R$ 260 mil. Eventos como o lançamento do Programa Norte Conectado em Macapá (R$ 299 mil) e a cerimônia alusiva ao lançamento da pedra fundamental da Usina Termelétrica Gás Natural Açu II (R$ 320 mil) também demandaram altos investimentos. As visitas a eventos com forte apelo eleitoral, como cerimônias alusivas e lançamentos de pedra fundamental, foram uma constante na agenda do então presidente.