Toffoli ordena envio de provas lacradas da Operação Compliance Zero ao STF, gerando receio de perda de dados

Toffoli ordena envio de provas lacradas da Operação Compliance Zero ao STF, gerando receio de perda de dados

Resumo

Toffoli centraliza provas da Operação Compliance Zero no STF, especialistas alertam para riscos

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que todos os bens e materiais apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF), sejam enviados lacrados e acautelados diretamente à sede do STF. A medida, que retira a custódia das provas da PF, gerou preocupação entre especialistas e pessoas ligadas à investigação, que temem a perda de provas relevantes para o andamento do processo.

A decisão do ministro visa preservar a integridade do material coletado, permitindo sua posterior liberação para perícia técnica da PF. No entanto, a forma como a determinação foi feita, centralizando o acervo probatório no STF, é vista com ressalvas por juristas e constitucionalistas. Eles apontam que essa centralização pode criar um ponto sensível para a investigação e abrir margem para questionamentos futuros.

A PF realizou a segunda fase da operação nesta quarta-feira, cumprindo 42 mandados de busca e apreensão em imóveis de alvos ligados ao esquema de fraudes envolvendo o Banco Master. Foram bloqueados R$ 5,7 bilhões em bens. A investigação apura suspeitas de venda de carteiras de crédito fraudulentas ao Banco de Brasília (BRB), que podem chegar a R$ 12 bilhões, levando à decretação de liquidação do banco pelo Banco Central. As informações foram divulgadas pela Gazeta do Povo.

Medida excepcional levanta dúvidas sobre a cadeia de custódia

Para o advogado André Marsiglia, a determinação de Toffoli é uma medida de caráter excepcionalíssima no processo penal brasileiro. Ele ressalta que a PF é o órgão técnico legalmente incumbido de realizar perícias, além de armazenar e preservar provas físicas e digitais. A retirada desse papel da polícia, segundo ele, foge do trâmite usual.

O criminalista Márcio Nunes também expressou preocupação, afirmando que, ao centralizar o acervo probatório no STF, o Judiciário ultrapassa sua função típica de controle de legalidade. Nunes argumenta que o tribunal não possui a estrutura técnica de um órgão pericial para garantir a integridade e a cadeia de custódia dos materiais apreendidos.

Especialistas apontam risco de questionamentos sobre validade das provas

Segundo Márcio Nunes, a escolha de centralizar as provas no STF sinaliza uma desconfiança institucional profunda. Ele alerta que isso abre espaço para alegações de manuseio inadequado das provas, fora do ambiente pericial padrão, o que poderia impactar a validade dos elementos coletados na Operação Compliance Zero.

A reportagem da Gazeta do Povo buscou contato com a assessoria de imprensa do STF para comentar as críticas sobre a excepcionalidade da medida, mas o espaço segue aberto para manifestação até o momento da publicação.

Banco Master no centro de investigação bilionária

A Operação Compliance Zero investiga um esquema de fraudes envolvendo o Banco Master, que se consolidou como uma das maiores crises do sistema financeiro nacional. Desde o início do ano, novas revelações têm demonstrado a gravidade das fraudes, evidenciando a proximidade de autoridades em Brasília com a diretoria e os negócios do banco. A PF apura suspeitas de venda de carteiras de crédito fraudulentas ao BRB, em valores que podem atingir R$ 12 bilhões.

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