Cunhado de Daniel Vorcaro Investiu Milhões em Resort da Família de Dias Toffoli, Revela Jornal

Cunhado de Daniel Vorcaro Investiu Milhões em Resort da Família de Dias Toffoli, Revela Jornal

Resumo

Cunhado de Daniel Vorcaro teve participação em resort da família de Toffoli, diz jornal

O cunhado do banqueiro Daniel Vorcaro, Fabiano Zettel, que foi alvo da segunda fase da operação Compliance Zero, participou diretamente de investimentos que compraram parte da participação da família do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), em um resort no interior do Paraná. A fatia adquirida dos irmãos do ministro no Tayayá era avaliada em R$ 6,6 milhões, segundo documentos financeiros obtidos pelo Estadão.

Registros analisados mostram que Zettel foi o único cotista, entre 2021 e 2025, do fundo de investimentos Leal, utilizado para estruturar o aporte no empreendimento. Por meio desse fundo e de outro, ambos administrados pela Reag Investimentos, foram injetados cerca de R$ 20 milhões no resort, que à época tinha como principais acionistas familiares de Toffoli. A Reag foi liquidada na véspera pelo Banco Central.

Procurados pela reportagem, o ministro Dias Toffoli, seus irmãos, a administração do Tayayá e a Reag não responderam. Zettel confirmou que foi cotista do fundo e afirmou ter deixado o investimento em 2022. A defesa de Daniel Vorcaro declarou que ele não tem e nunca teve informação ou participação em negócios relacionados ao resort.

A apuração do Estadão aponta que Toffoli não tem participação direta no resort, mas frequenta o local. Ele é relator no STF do inquérito que apura supostas fraudes no Banco Master, envolvendo Daniel Vorcaro e a Reag Investimentos. Zettel chegou a ser preso e depois solto no âmbito dessa mesma investigação.

Estrutura Financeira Detalhada

A estrutura financeira envolveu o fundo Leal, único cotista do fundo Arleen, ambos geridos pela Reag. Este último foi usado para comprar a participação da família Toffoli no resort. Em setembro de 2021, o fundo Arleen tornou-se sócio de empresas responsáveis pelo Tayayá, recebendo um aporte de R$ 20 milhões e formalizando Zettel como parceiro de negócios dos familiares do ministro.

As empresas beneficiadas foram a Tayayá Administração e Participações e a DGEP Empreendimentos, controladas pelo primo de Toffoli, Mario Umberto Degani, e que tinham como sócia a Maridt S.A., dirigida pelos irmãos do ministro. Documentos indicam que o fundo comprou metade da participação societária dessas empresas, correspondente aos R$ 6,6 milhões.

Venda e Conexões com a JBS

A sociedade entre o fundo e a família Toffoli durou até 2025, quando as participações foram vendidas ao advogado Paulo Humberto Barbosa, hoje único dono do resort. Barbosa já atuou para a JBS em causas tributárias e é ligado a empresários do grupo. Em 2023, Toffoli suspendeu o pagamento de parcelas da multa de R$ 10,3 bilhões imposta à J&F, controladora da JBS, no âmbito da operação Greenfield.

Paulo Humberto Barbosa afirmou à CNN Brasil que seu investimento no Tayayá Resort está ligado ao plano de transformá-lo em um dos maiores complexos turísticos e de lazer da região. Ele disse conhecer o ministro Dias Toffoli, mas negou ter feito negócios com ele. A JBS informou que o escritório do advogado defendeu a empresa em ações em Goiás e que nem a companhia nem seus acionistas possuem qualquer relação com as empresas citadas ou com outros negócios do advogado.

Investigações e Suspeitas de Lavagem de Dinheiro

A apuração do Estadão aponta ainda que o fundo Arleen, criado em 2021, foi liquidado em novembro de 2025 após o avanço de operações da Polícia Federal contra fundos da Reag. A suspeita é que a corretora geria fundos de investimentos abastecidos com dinheiro do PCC. Auditorias enviadas à CVM apontaram falta de documentos e dificuldades para avaliar ativos como o próprio Tayayá.

Relatórios também indicam que o fundo Leal investiu em empresas ligadas a Daniel Vorcaro, incluindo uma companhia de tecnologia administrada por Zettel e um conglomerado de turismo. Esses vínculos ampliam o alcance das investigações, que apuram o uso de fundos para operações financeiras suspeitas envolvendo o Banco Master. A liquidação da Reag pelo Banco Central reforça as preocupações com a gestão e a origem dos recursos.

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