Lula não participará da assinatura do acordo Mercosul-União Europeia, mas defende parceria
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não estará presente na cerimônia de assinatura do acordo entre o Mercosul e a União Europeia, que ocorrerá neste sábado (17) em Assunção, no Paraguai. A ausência do chefe de Estado brasileiro foi confirmada pelo Palácio do Planalto nesta sexta-feira (16).
Apesar de não comparecer pessoalmente, Lula será representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. A informação foi confirmada pela pasta a veículos de comunicação.
A decisão de Lula contrasta com a forte campanha que ele tem feito para concretizar este acordo, negociado há 26 anos. O presidente já havia manifestado seu desejo de fechar a negociação durante a presidência brasileira do Mercosul no segundo semestre do ano passado.
Lula defende acordo como resposta ao protecionismo
Em artigo publicado no jornal argentino La Nación, Lula classificou a parceria como uma “resposta” para lidar com o “unilateralismo que isola os mercados e o protecionismo que sufoca o crescimento global”. Essas críticas podem ser interpretadas como um direcionamento aos Estados Unidos.
“Em uma época em que o unilateralismo isola os mercados e o protecionismo inibe o crescimento global, duas regiões que compartilham valores democráticos e defendem o multilateralismo escolhem um caminho diferente”, escreveu o presidente.
Lula argumentou que o acordo vai na contramão das guerras comerciais, que, segundo ele, segregam economias, empobrecem nações e aumentam a desigualdade. Ele enfatizou que “não existe uma economia isolada” e que o comércio internacional “não é um jogo de soma zero”.
Parceria gera oportunidades e fortalece cooperação
“Todos buscam crescer, e esta nova parceria gerará oportunidades mútuas de emprego, geração de renda, desenvolvimento sustentável e progresso econômico”, completou o presidente em seu artigo. Ele destacou a importância do diálogo e do respeito entre os blocos.
“A assinatura deste acordo só é possível porque o Mercosul e a União Europeia compreenderam que juntos tinham muito mais a ganhar do que separados e optaram por dialogar em condições de respeito e igualdade. Apesar de visões distintas, os blocos encontraram pontos de convergência, demonstrando que a cooperação é muito mais vantajosa e eficaz do que a intimidação e o conflito”, pontuou.
Críticas ao unilateralismo e reforço de valores democráticos
Após um encontro com Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, no Rio de Janeiro, Lula voltou a criticar o que chamou de unilateralismo e autoritarismo, valores que ele associa a lideranças como o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Lula ressaltou que Mercosul e União Europeia “compartilham valores como respeito à democracia, ao Estado de Direito e aos direitos humanos”.
A cerimônia de assinatura do acordo, que une dois dos maiores blocos econômicos do mundo, ocorrerá em Assunção, capital do Paraguai, que atualmente detém a presidência pro tempore do Mercosul.