Toffoli impõe nova restrição à PF e encurta prazos para depoimentos cruciais no caso Banco Master

Toffoli impõe nova restrição à PF e encurta prazos para depoimentos cruciais no caso Banco Master

Resumo

Toffoli limita atuação da PF e aperta cronograma de depoimentos no caso Banco Master

O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), estabeleceu uma nova e significativa restrição à Polícia Federal (PF) no andamento das investigações relacionadas ao caso Banco Master. A decisão, anunciada nesta sexta-feira (16), impacta diretamente o tempo reservado para os depoimentos dos investigados, que foi drasticamente reduzido.

Inicialmente previstos para ocorrer em um período mais extenso, os depoimentos agora terão um prazo significativamente menor. Essa mudança surge após um pedido formal da própria PF, que indicou dificuldades operacionais para cumprir as datas anteriormente estabelecidas. A intervenção de Toffoli visa agilizar o processo, mas também impõe novos desafios logísticos.

A decisão de encurtar o prazo para as oitivas, que antes se estendiam por cinco dias e agora se limitam a dois, foi justificada pelo ministro com base em alegadas “limitações de pessoal e disponibilidade de salas” nas dependências do STF. A medida, divulgada inicialmente pelo G1 e confirmada por fontes à Gazeta do Povo, reflete uma crescente tensão entre o STF e a PF no desenrolar desta complexa investigação.

Novo cronograma e convocados para depor no caso Banco Master

Com a nova determinação de Toffoli, o cronograma para os depoimentos dos investigados no caso Banco Master foi alterado. A PF foi instruída a apresentar um novo planejamento para as oitivas, que agora deverão ocorrer em um período mais condensado. A justificativa para a antecipação, segundo o ministro, é que as oitivas já haviam sido autorizadas desde 15 de dezembro, e não mais se limitariam ao período entre 23 e 28 de janeiro.

Fontes indicam que figuras centrais na investigação já foram convocadas para prestar novos depoimentos. Entre eles estão o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, com depoimento marcado para o dia 27. Também foram chamados Paulo Henrique Costa, ex-presidente do BRB, Augusto Lima, ex-sócio do Banco Master, e Luiz Antônio Bull, ex-diretor da instituição.

Os novos alvos que surgiram nesta semana na operação deverão ser convocados até a próxima segunda-feira (19). O objetivo é que esses depoimentos ocorram ainda em janeiro, acelerando o avanço da apuração.

Tensão entre Toffoli e a PF se intensifica no caso Banco Master

A relação entre o ministro Dias Toffoli e a Polícia Federal tem sido marcada por atritos recentes. No final do ano passado, o ministro determinou a centralização do processo em seu gabinete, uma medida que já gerou descontentamento. Mais recentemente, na última quarta-feira (14), Toffoli manifestou insatisfação com o que considerou um atraso no cumprimento da segunda fase da operação Compliance Zero.

Essa fase da operação mirou parentes e aliados de Daniel Vorcaro, o dono do Banco Master. Na ocasião, Toffoli proferiu ao menos três decisões que alteraram o rito usual de armazenamento e análise de provas. Inicialmente, as apreensões seriam guardadas no próprio STF, depois o local foi alterado para a sede da Procuradoria-Geral da República (PGR), e por fim, foram nomeados peritos da PF para analisar os objetos, um procedimento que diverge do andamento normal das investigações.

Apreensões e conexões no caso Banco Master

Entre os itens apreendidos na operação estão bens de alto valor, como carros de luxo, relógios e dinheiro em espécie, além de um revólver. Os alvos da investigação incluem não apenas Daniel Vorcaro, mas também familiares e empresários ligados a fundos de investimento. Um ponto de atenção é a ligação de um cunhado do banqueiro com um resort administrado por familiares de Dias Toffoli, adicionando uma camada de complexidade às relações envolvidas no caso Banco Master.

A apuração do caso Banco Master continua em andamento, com as novas restrições de prazo impostas por Toffoli adicionando um elemento de urgência e tensão ao processo, enquanto a PF busca cumprir as determinações e avançar com as investigações.

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