Lula critica "unilateralismo" em artigo sobre acordo Mercosul-UE, defendendo cooperação global

Lula critica “unilateralismo” em artigo sobre acordo Mercosul-UE, defendendo cooperação global

Resumo

Lula defende acordo Mercosul-UE contra “unilateralismo” e “protecionismo” em artigo

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva publicou um artigo no jornal argentino La Nacion, criticando o que chamou de “unilateralismo” e “protecionismo” que isolam mercados e sufocam o crescimento global. Lula defende o acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia como uma resposta a essas tendências, que podem ser associadas aos Estados Unidos.

O texto foi divulgado um dia antes da assinatura do acordo, que encerra 26 anos de negociações. A cerimônia ocorrerá em Assunção, Paraguai, e contará com a presença de líderes de ambos os blocos. A publicação reforça a posição do Brasil em prol da cooperação internacional.

O presidente brasileiro argumentou que o acordo contraria a lógica das guerras comerciais, que segregam economias e empobrecem nações. Conforme informação divulgada pelo La Nacion, Lula destacou que o comércio internacional não é um jogo de soma zero e que a nova parceria gerará oportunidades mútuas de emprego, renda e desenvolvimento sustentável.

Acordo Mercosul-UE como antídoto ao protecionismo

Em seu artigo, Lula afirmou que, em um momento de crescentes tendências protecionistas e unilaterais, o acordo entre Mercosul e União Europeia representa um caminho alternativo. Ele enfatizou que duas regiões com valores democráticos compartilhados e defesa do multilateralismo optaram por uma abordagem diferente, promovendo o diálogo em vez do conflito.

“A assinatura deste acordo só é possível porque o Mercosul e a União Europeia compreenderam que juntos tinham muito mais a ganhar do que separados e optaram por dialogar em condições de respeito e igualdade”, escreveu o presidente. Ele ressaltou que, apesar de visões distintas, os blocos encontraram pontos de convergência, demonstrando a vantagem da cooperação sobre a intimidação.

Lula propõe governança mundial mais justa e inclusiva

O presidente brasileiro também aproveitou o artigo para propor uma governança mundial mais ativa, representativa, inclusiva e justa. Ele associou esses princípios à busca por instituições multilaterais renovadas, como a reforma da Organização Mundial do Comércio e do Conselho de Segurança da ONU.

“A interdependência é uma necessidade e uma realidade”, comentou Lula. Ele argumentou que somente o trabalho conjunto entre Estados e blocos pode promover a paz, prevenir atrocidades e enfrentar os piores efeitos da mudança climática, reforçando a importância do multilateralismo em um mundo cada vez mais interconectado.

Brasil lidera negociações para criar maior zona de livre comércio

Apesar de não participar presencialmente da cerimônia de assinatura, o Brasil, como maior potência econômica da América Latina e líder nas negociações com a UE, defende o acordo. Ele criará a maior zona de livre comércio do mundo por população, abrangendo 720 milhões de pessoas e um peso econômico de US$ 22 trilhões.

No dia anterior à assinatura, Lula se reuniu com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, no Rio de Janeiro. O encontro serviu para discutir os próximos passos do acordo comercial e outros temas da agenda internacional, demonstrando o compromisso brasileiro com a consolidação da parceria.

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