Costa Rica: Eleições Presidenciais em Foco com Crescente Onda de Violência e Narcotráfico
A Costa Rica, outrora sinônimo de segurança na América Latina, vive um momento de apreensão às vésperas de suas eleições presidenciais. A escalada da violência e a expansão do narcotráfico tornaram-se os temas centrais do debate eleitoral, moldando as expectativas e preocupações dos eleitores.
O país foi abalado em 2025 por escândalos de grande repercussão, incluindo o desmantelamento do Cartel do Caribe do Sul e a prisão de um ex-ministro da Segurança sob acusações de envolvimento em redes de tráfico. Esses eventos aumentaram a pressão sobre os candidatos que disputam o pleito no próximo domingo, 1º de fevereiro.
Os índices de criminalidade refletem essa nova realidade. Conforme informações divulgadas, as autoridades apreenderam mais de 44 toneladas de cocaína em 2025, um aumento significativo em relação ao ano anterior. As taxas de homicídio também dispararam, especialmente em regiões como Limón, principal porto do país e área estratégica para o tráfico de drogas. Conforme dados, a Costa Rica agora ostenta a terceira maior taxa de homicídios da América Central, com 16,6 por 100.000 habitantes, um desafio iminente para o próximo presidente.
Laura Fernández: Linha Dura Contra o Crime e Cooperação Internacional
A candidata conservadora Laura Fernández, ex-chefe de gabinete do atual presidente Rodrigo Cháves e favorita nas pesquisas, tem em sua plataforma uma postura firme contra a violência e o narcotráfico. Sua proposta inclui o fortalecimento da segurança cidadã, com maior controle territorial e profissionalização policial.
Fernández também defende a expansão do uso de scanners em portos, aeroportos e fronteiras, além de operações contra pistas de pouso clandestinas e pontos de descarga ilegal. Para combater o tráfico de drogas, ela prevê maior cooperação com agências internacionais como a DEA, Interpol e Europol, e o combate a precursores químicos para drogas sintéticas.
Uma de suas propostas mais controversas é a implementação de estados de exceção, nos moldes de El Salvador, para suspender liberdades civis e intensificar a identificação de criminosos em áreas de alta violência. Essa medida visa combater diretamente o narcotráfico e a criminalidade.
Álvaro Ramos: Foco em Operações e Tecnologia para Combater o Narcotráfico
O centrista Álvaro Ramos, do Partido Liberação Nacional, também tem o combate ao narcotráfico como pilar de sua campanha. Ele alerta que a Costa Rica se tornou um país atraente para traficantes, tanto como rota de passagem quanto como mercado consumidor.
Ramos propõe grandes operações policiais em bairros conhecidos por serem refúgios do tráfico e em áreas turísticas com altos índices de criminalidade. Ele também planeja contratar 6.000 novos policiais e criar um laboratório de balística biométrica para rastrear armas.
Para reduzir o fluxo de drogas, sua agenda inclui a aquisição de scanners avançados e contêineres inteligentes, que alertam sobre qualquer tentativa de violação. O objetivo é aumentar a eficiência na fiscalização de cargas e dificultar a ação do crime organizado.
Claudia Dobles: Prevenção, Educação e Fortalecimento Institucional
Na oposição de esquerda, Claudia Dobles, ex-primeira-dama, se posiciona contra a limitação de garantias individuais e, portanto, contra a adoção de estados de exceção. Ela defende iniciativas preventivas e maior presença policial com base em inteligência.
Dobles enfatiza a importância de oportunidades e foco na educação para evitar que jovens caiam nas mãos do crime organizado. Sua estratégia de segurança se baseia em um diagnóstico da deterioração da segurança cidadã e do narcotráfico no país.
Como parte de seu plano, ela propõe reativar o Conselho Nacional de Segurança Presidencial e aprimorar a coordenação entre as diversas forças de segurança. Para Dobles, a segurança pública deve ser complementada pela modernização do sistema judicial e por estratégias de prevenção com investimentos em educação e espaços públicos seguros.
Eleições em 1º de Fevereiro: Continuidade ou Mudança?
As pesquisas eleitorais mais recentes indicam que Laura Fernández lidera a corrida presidencial com cerca de 44% das intenções de voto. Seus principais concorrentes, Álvaro Ramos e Claudia Dobles, aparecem distantes, com aproximadamente 9% cada. Um número significativo de eleitores, cerca de 26%, ainda se declara indeciso.
Ao todo, 3,7 milhões de costarriquenhos estão aptos a votar neste domingo. A decisão será entre a continuidade do governo de Rodrigo Chaves, representada por Fernández, ou a escolha de uma das 19 outras opções para liderar o país no período de 2026 a 2030, em um cenário marcado pela urgência em lidar com a crescente violência e o narcotráfico.