Escola de Samba no Carnaval do Rio é Acusada de Propaganda Eleitoral Antecipada para Lula
O deputado federal Kim Kataguiri, em conjunto com Jota Júnior do Movimento Brasil Livre (MBL), apresentou uma representação na Procuradoria-Geral Eleitoral (PGE) contra o samba-enredo da escola Acadêmicos de Niterói. A escola, que estreia no Grupo Especial do Carnaval do Rio, escolheu homenagear o presidente Lula em sua apresentação, a poucos meses das eleições presidenciais.
A denúncia aponta que a letra do samba-enredo contém elementos que podem configurar propaganda eleitoral antecipada. Trechos que exaltam diretamente o presidente, com referências ao número 13 e elogios à sua legenda partidária, foram citados como possíveis irregularidades de acordo com a Lei das Eleições, conforme entendimento do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
A representação também destaca a participação do próprio Lula e a possível presença da primeira-dama, Janja, desfilando pela agremiação. A escola de samba, que recebe um aporte de R$ 1 milhão do governo federal, além de recursos municipais e estaduais, teve sua homenagem a Lula levada à PGE. “O Carnaval não pode ser transformado em palanque eleitoral, especialmente em um evento de grande alcance nacional e com financiamento público”, declarou Kataguiri.
Medidas para Evitar Irregularidades na Sapucaí
Apesar da polêmica, a escola Acadêmicos de Niterói parece ter buscado se adequar às normas, orientando seus integrantes a **não realizarem o gesto do “L”** durante o desfile oficial. O regulamento da Sapucaí proíbe expressamente a propaganda eleitoral, e a agremiação demonstra preocupação em evitar a perda de pontos em quesitos regulamentares.
No entanto, durante os ensaios técnicos, alguns integrantes foram vistos posando para fotos com o característico gesto do “L” em suas redes sociais. A disputa em torno do samba-enredo também se estendeu ao ambiente digital, com relatos de militantes organizando ações para prejudicar a popularidade da música em plataformas de streaming.
Disputa nas Redes e Plataformas Digitais
Militantes ligados ao presidente Lula denunciaram que grupos de direita se organizaram para **diminuir a popularidade do samba-enredo no Spotify**. A ação visava prejudicar a música antes mesmo do desfile oficial. “Organizaram um mutirão para jogar o samba-enredo de 2026 no fundo do ranking no Spotify. Conseguiram? Conseguiram. E agora? Agora é o povo lulista respondendo com o play”, afirmou o militante Rodolfo Vasconcelos, em publicação nas redes sociais.
A reportagem buscou contato com a escola Acadêmicos de Niterói para obter um posicionamento sobre o samba-enredo e as acusações de propaganda antecipada, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria. O espaço permanece aberto para manifestações da agremiação.
Investimento Público e Carnaval como Palco Político
A discussão levanta o debate sobre o uso de recursos públicos em eventos culturais e a linha tênue entre homenagem e propaganda eleitoral. Com um aporte financeiro significativo do governo federal, a participação de figuras políticas em eventos de grande visibilidade como o Carnaval gera questionamentos sobre a imparcialidade e o uso do espaço público.
A representação na PGE visa garantir que o período pré-eleitoral seja respeitado e que o Carnaval, uma manifestação cultural de grande relevância nacional, não seja utilizado como plataforma para campanhas políticas antecipadas, especialmente quando há envolvimento de financiamento público.