Rui Costa desvia de polêmica sobre encontro de Lula com dono do Banco Master e reforça papel institucional da Presidência
O ministro da Casa Civil, Rui Costa, minimizou nesta segunda-feira (2) a reunião entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. Costa enfatizou que o chefe do Executivo cumpre seu papel ao receber “institucionalmente todos os atores econômicos” em Brasília.
A declaração surge em meio a questionamentos sobre o encontro, que ocorreu fora da agenda oficial em 4 de dezembro de 2024, conforme revelado pela coluna de Lauro Jardim, no jornal O Globo. O Poder360 também informou que o banqueiro esteve no Planalto em outras três ocasiões.
Para o ministro, a agenda presidencial é ampla e inclui diversos setores da sociedade. “O presidente recebeu vários presidentes de bancos, como empresários da agricultura, representantes da população de entidades, como do MST e outros”, disse Rui Costa a jornalistas, defendendo a abertura institucional do governo.
Governo não interfere em investigações parlamentares
Questionado sobre a possibilidade de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar a atuação do Banco Master, Rui Costa ressaltou que o Executivo não interfere nas decisões do Congresso Nacional. Ele explicou que, assim como um parlamentar não orienta a Polícia Federal em suas investigações, o governo não deve opinar sobre a formação de CPIs.
“Se cabe um deputado ficar orientando como a Polícia Federal deve agir para investigar um crime, não cabe ao Executivo ficar opinando como um parlamentar deve agir aqui dentro do Congresso. Se deve formar a CPI ou não, isso cabe ao Parlamento escolher os meios e a forma dentro do regimento da Casa”, declarou o ministro.
Banco Central sob elogios de Rui Costa
Sobre a fiscalização do Banco Master pelo Banco Central, Rui Costa evitou críticas diretas à autarquia. Ele elogiou a expertise dos profissionais da instituição, que avaliam diariamente a saúde financeira de todas as instituições financeiras do país.
“Ali tem gente concursada, muito experiente, que avalia cotidianamente a situação financeira de todas as instituições financeiras. Eu não tenho elementos para julgar os detalhes”, afirmou, demonstrando confiança na atuação do órgão regulador.
Transparência e institucionalidade como pilares
O ministro reiterou que a atuação do presidente Lula em receber diferentes setores da economia é uma prática comum e necessária para o bom funcionamento da democracia e para a manutenção do diálogo entre o governo e a sociedade civil. A fala de Rui Costa busca desassociar a figura do presidente de eventuais irregularidades cometidas por terceiros.
“Se alguma autoridade recebida no Planalto vier a cometer erros, isso não inviabiliza o presidente”, concluiu, reforçando a ideia de que a responsabilidade por atos ilícitos é individual e não reflete no chefe do Executivo.