Carlos Jordy protocolou o pedido de CPMI do Master com apoio de 280 parlamentares, mas alerta para possível “operação abafa”.
O deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) deu entrada formal no Senado com o pedido para a criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) destinada a investigar o caso Master. Segundo o parlamentar, o requerimento já conta com o número mínimo de assinaturas exigido pelo regimento do Congresso Nacional, o que, em tese, tornaria obrigatória sua leitura em sessão conjunta das duas Casas.
A instalação oficial da comissão, no entanto, ainda depende da decisão do presidente do Senado e do Congresso Nacional, Davi Alcolumbre (União-AP). Jordy expressou preocupação com a possibilidade de manobras para impedir o avanço da investigação, citando uma suposta “operação abafa” promovida por pessoas poderosas.
A matéria divulgada pela Gazeta do Povo aponta para uma possível ligação do núcleo político de Alcolumbre, através da Amapá Previdência (Amprev), com o caso Master. O fundo de pensão teria investido R$ 400 milhões em títulos do banco, mesmo diante de alertas contrários. Essa conexão, somada à indicação de aliados do presidente do Senado e à presença de seu irmão em um órgão fiscalizador, reforçaria a resistência de Alcolumbre em permitir a CPMI, conforme informações obtidas.
CPMI do Master atinge marco importante com 280 assinaturas
O pedido de CPMI do Master foi protocolado com o apoio de 280 parlamentares, sendo 238 deputados e 42 senadores. Jordy ressaltou que, diferentemente das CPIs, que são discricionárias e dependem da decisão do presidente de uma das Casas, as CPMIs, ao atingirem o número de assinaturas previsto no regimento, tornam-se obrigatórias.
“O regimento do Congresso Nacional é muito claro. A partir do momento que tem as assinaturas, as CPMIs serão criadas em sessão conjunta, sendo automática a sua instituição se requerida por um terço dos membros”, afirmou Jordy. A próxima etapa crucial é a leitura do requerimento em sessão conjunta, o que permitirá o início da indicação dos membros da comissão.
Resistência de Alcolumbre e “operação abafa”
Carlos Jordy destacou que prevê dificuldades políticas significativas. “A gente vai ter agora muito embate, muita pressão, porque é evidente que muita gente poderosa não quer que haja a instalação dessa CPMI. Querem se proteger, não querem que as investigações avancem, estão fazendo uma ‘operação abafa'”, declarou o deputado.
Ele citou como exemplo a redução de espaços de fala na Câmara nos últimos dias, que, segundo ele, impediu que o tema ganhasse mais repercussão. Jordy também rebateu o argumento de que o calendário eleitoral poderia ser um impeditivo para o funcionamento da comissão, afirmando que a leitura do requerimento é uma obrigação regimental.
Oposição denuncia pressão e reforça necessidade de investigação
Líderes da oposição também manifestaram preocupação com a possibilidade de a instalação da CPMI ser dificultada, apesar do expressivo número de assinaturas. Cabo Gilberto Silva (PL-PB), líder da oposição na Câmara, classificou o volume de apoios como um “recorde histórico” e reafirmou que a CPMI tem rito próprio.
Marcel van Hattem (Novo-RS), líder da oposição, declarou que houve pressão para a retirada de assinaturas, mas que o pedido avançou, demonstrando respaldo político para a investigação. “Houve um movimento para retirada de assinaturas. Mesmo assim, chegamos a um número recorde. Isso mostra que o Brasil acordou e que há preocupação real com os fatos que precisam ser investigados”, afirmou.
Foco da investigação e apuração de responsabilidades
Jordy enfatizou que o foco da investigação será estritamente o objeto do pedido, que é a fraude. “O requerimento tem um fato determinado: a fraude. Se alguém está envolvido e é de direita, esquerda ou centro, isso pouco importa. A gente tem que investigar e apurar a responsabilidade”, declarou.
Tanto Jordy quanto os líderes da oposição defenderam que a apuração seja feita com base no fato determinado descrito no requerimento e que a CPMI seja instalada conforme previsto no regimento do Congresso, garantindo a fiscalização necessária sobre as denúncias relacionadas ao caso Master.