Novos documentos revelam possível atuação de Epstein no Brasil em esquema de tráfico sexual
Mais de quatro mil documentos recém-liberados pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DOJ) lançam uma luz sombria sobre a possível atuação do falecido criminoso sexual Jeffrey Epstein no Brasil. As informações indicam conexões preocupantes com o país, envolvendo tentativas de recrutar mulheres e até mesmo menores de idade para sua rede de exploração.
As revelações surgem de conversas com Jean-Luc Brunel, ex-agente de modelos francês e também acusado de crimes sexuais, que teria atuado como o principal intermediário de Epstein no Brasil. Brunel era supostamente o responsável por encontrar e recrutar brasileiras para o esquema do financista.
Esses novos arquivos detalham como Epstein visava facilitar o acesso a mulheres brasileiras, inclusive menores, para seus propósitos. Conforme divulgado pelo Departamento de Justiça dos EUA, as evidências apontam para uma operação que se estendia internacionalmente, com o Brasil sendo um dos focos de interesse do criminoso. As informações foram compiladas a partir de documentos oficiais e depoimentos divulgados recentemente.
Epstein tentou comprar agência de modelos no Brasil para facilitar recrutamento
Um dos documentos liberados detalha uma tentativa de Jeffrey Epstein de adquirir uma agência de modelos no Brasil no ano de 2016. A iniciativa ocorreu oito anos após sua condenação por aliciar uma menina menor de idade, o que sugere uma intenção clara de obter acesso facilitado a mulheres brasileiras para seu esquema de tráfico sexual.
As mensagens trocadas entre Epstein e Jean-Luc Brunel indicam que o financista buscava ter controle sobre agências para direcionar o recrutamento. A ideia era usar essas empresas como fachada para atrair jovens mulheres, muitas vezes com promessas de carreira na moda.
As investigações apontam que a agência MC2, cofundada por Brunel em Miami e com apoio financeiro de Epstein, era um dos braços dessa operação. Em 2019, o jornal britânico The Guardian já havia noticiado denúncias contra Brunel por tráfico sexual de mulheres estrangeiras para os EUA, com relatos de agressões sexuais por parte dele.
Interesse em modelos brasileiras e planos para concursos de beleza
Os documentos revelam também um diálogo de 2012 entre Epstein e Brunel sobre a modelo brasileira Luma de Oliveira. Brunel menciona que ela seria ou foi casada com Eike Batista, ao que Epstein responde questionando se ela seria namorada de Eike Batista e se essa informação já havia sido compartilhada anteriormente.
Em outra troca de e-mails, Epstein expressa interesse em organizar um concurso de beleza no Brasil. Um interlocutor, identificado como Ramsey Elkholy, sugere três agências que poderiam ser contatadas. Elkholy menciona revistas de moda brasileiras que poderiam ser usadas para castings e editoriais em Nova York, com o objetivo de obter conteúdo.
Elkholy relata que um amigo se encontrou com representantes de duas empresas de moda no Brasil e entregou uma carta de intenções. Ele aguardava auditorias para saber o valor das empresas antes de prosseguir. Epstein, ao que parece, demonstrava impaciência com a lentidão do processo no Brasil.
Recrutadora no Brasil atuava para o braço direito de Epstein
Um depoimento de 2010 na Justiça da Flórida, incluído nos novos arquivos, revela que uma testemunha afirmou que Epstein viajava frequentemente ao Brasil. Durante essas viagens, ele mantinha contato com uma mulher que lhe fornecia garotas para fins sexuais, incluindo menores de idade. Essa mulher era apresentada como recrutadora e trabalhava para o ex-agente Jean-Luc Brunel.
Segundo o relato de uma ex-funcionária, a agência fundada por Brunel recebia sustento financeiro direto de Epstein. A estrutura visava atrair jovens promessas da moda, muitas vezes em início de carreira, para serem exploradas sexualmente.
A possibilidade de adquirir agências ou organizar concursos de modelos era vista por Epstein como uma forma de obter acesso a mulheres mais jovens e menos expostas à indústria da moda, buscando assim rostos novos para seu esquema. A intenção era minimizar riscos e maximizar o controle sobre as vítimas em potencial, segundo as mensagens divulgadas.
Brunel, braço direito de Epstein, foi encontrado morto na prisão
Jean-Luc Brunel, o ex-agente de modelos francês que atuava como um suposto “braço direito” de Epstein no Brasil, foi preso em 2020. Dois anos depois de sua detenção, ele foi encontrado morto em sua cela na prisão em Paris, encerrando abruptamente seu envolvimento nas investigações.
As denúncias contra Brunel, que remontam a 2019 com reportagens do The Guardian, envolviam tráfico sexual de mulheres estrangeiras para os Estados Unidos. Várias mulheres relataram terem sido vítimas de agressão sexual por parte dele, o que reforça a gravidade do esquema investigado.
A morte de Brunel levanta questionamentos sobre o que ele poderia ter revelado sobre a rede de Epstein e suas conexões no Brasil e em outros países. Os documentos liberados pelo DOJ continuam a desvendar a extensão das atividades do criminoso, com o Brasil figurando como um ponto de interesse crucial em suas operações de exploração.