Caminhada da Liberdade expande fronteiras e mira Senado em ano eleitoral
A “Caminhada da Liberdade”, iniciativa que ganhou destaque com o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) em um trajeto de mais de 250 quilômetros entre Minas Gerais e Brasília, agora ressurge com força no Sul do país. O movimento, que inicialmente buscava pressionar pela derrubada do veto do presidente Lula (PT) ao PL da Dosimetria, beneficiando condenados pelos atos de 8 de janeiro e potencialmente Jair Bolsonaro, amplia seu escopo para incluir as principais pautas da direita no ano eleitoral.
A renovação do Senado é vista como crucial pela direita para a formação de uma maioria conservadora, capaz de viabilizar mudanças significativas, como a abertura de processos de impeachment contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A mobilização, que começou em Porto Alegre (RS), pretende levar às ruas demandas por segurança pública, liberdade econômica e a eleição de novos senadores.
“A caminhada liderada pelo Nikolas, na minha visão como militar, representa uma marcha antes de uma grande batalha. Este ano será decisivo para o Brasil, com as eleições, especialmente para o Senado. Vamos renovar dois terços da Casa, e isso pode mudar completamente o rumo do país”, afirmou o deputado estadual Capitão Martim (Republicanos-RS), que iniciou a caminhada no Rio Grande do Sul após participar da mobilização em Brasília. Conforme informações divulgadas, a versão sulista do movimento “Acorda, Brasil” partiu do Monumento ao Laçador, na capital gaúcha, com adesão de vereadores conservadores e percorreu quase 200 quilômetros em cinco dias até a divisa com Santa Catarina.
Santa Catarina: Liberdade econômica e redução tributária em pauta
Em Santa Catarina, a “Caminhada da Liberdade” está agendada para o próximo fim de semana, em um percurso de aproximadamente 90 quilômetros entre Joinville e a divisa com o Paraná. O deputado estadual Sargento Lima (PL-SC), líder do movimento no estado, explicou que o trajeto foi ajustado devido ao intenso tráfego na BR-101. Além de defender os condenados pelo 8 de janeiro e manifestar-se contra a prisão de Jair Bolsonaro, o grupo reivindicará maior liberdade econômica e a redução da carga tributária.
“Santa Catarina não possui liberdade econômica plena. É um estado superavitário que trabalha com uma pedra amarrada ao pescoço, enquanto outros estados deficitários deixam a responsabilidade fiscal em segundo plano. O catarinense paga essa conta”, protestou Lima. A caminhada passará por Joinville, São Francisco do Sul, Garuva e Itapoá, culminando na divisa com o Paraná, onde as bandeiras serão recebidas pelo deputado estadual Tito Barichello (União Brasil-PR).
Paraná estende a mobilização rumo ao Sudeste
No Paraná, a “Caminhada da Liberdade” será liderada por integrantes do União Brasil durante a semana do Carnaval, com o objetivo de chegar a São Paulo até o dia 22 de fevereiro. O deputado estadual Tito Barichello iniciará a marcha em 14 de fevereiro, acompanhado pela pré-candidata ao Senado, Cristina Graeml (União Brasil-PR). Graeml destacou a importância do movimento para o resgate da participação popular e da consciência política.
“Esse não é um movimento partidário, mas de consciência política pelos brasileiros que não estão satisfeitos com o rumo da economia, com a corrupção no governo e, principalmente, com os avanços contra a liberdade de expressão e a liberdade de manifestação”, declarou Graeml. A caminhada no Paraná incluirá trechos entre Guaratuba, Caiobá, Matinhos e Paranaguá, com uma etapa em veículo pela Estrada da Graciosa para transpor a Serra do Mar.
Expansão nacional e ato em São Paulo
Após o Carnaval, o grupo seguirá em direção a São Paulo, percorrendo cerca de 90 km entre Quatro Barras e a divisa paulista. A etapa paranaense se encerrará em 22 de fevereiro, com a entrega simbólica das bandeiras ao deputado estadual Tomé Abduch (Republicanos-SP). A expectativa é levar a “Caminhada da Liberdade” até a Avenida Paulista, em São Paulo, para a realização de um grande ato do movimento “Acorda, Brasil”.
“Quando algumas pessoas que estiveram presentes na caminhada ao lado do Nikolas voltam para os estados e decidem continuar com o movimento, nós precisamos fazer com que isso cresça [nacionalmente]. Após chegar ao Sudeste, quem sabe entrar pelos mesmos caminhos que percorremos com o Nikolas, em Minas Gerais”, comentou Graeml, sinalizando a ambição de expandir o alcance nacional da mobilização.