Leonardo Stoppa, ex-influenciador de esquerda, anuncia adesão à direita após vivenciar alienação parental e criticar projeto de lei.
O influenciador Leonardo Michel Rocha Estopa, conhecido como Leonardo Stoppa, anunciou uma reviravolta em sua carreira política e midiática. Com quase meio milhão de seguidores no YouTube, Stoppa, que se posicionava à esquerda, decidiu migrar para o campo da direita. A mudança, segundo ele, foi motivada por uma experiência pessoal dolorosa: o afastamento de sua filha de sete anos, que ele atribui à alienação parental.
Stoppa participou recentemente de uma caminhada de 240 quilômetros liderada pelo deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). Em suas redes sociais, ele declarou o encerramento de suas atividades como influenciador de esquerda e a criação de um novo canal voltado para a direita. A decisão marca um ponto de inflexão em sua trajetória, que inclui passagens por veículos progressistas como o Brasil 247.
A principal motivação para essa guinada política, conforme relatado pelo próprio Leonardo Stoppa, é a sua experiência com a alienação parental e a tramitação de um projeto de lei que visa revogar a Lei 12.318, que trata o tema como abuso emocional. Conforme divulgado pelo jornalista mineiro, a legislação atual busca proteger o vínculo familiar e evitar que manipulações psicológicas afastem crianças de um dos genitores. O projeto de revogação, de autoria das deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS), Sâmia Bomfim (PSOL-SP) e Vivi Reis (PSOL-PA), propõe o fim dessa lei, o que gerou grande comoção entre pais que enfrentam situações semelhantes.
A Lei de Alienação Parental e o Desespero de Pais
Leonardo Stoppa expressou seu choque ao ver deputadas do PSOL e do PT comemorando a possibilidade de revogação da lei que, segundo ele, garante o convívio da criança com o genitor. O jornalista, que está há meses sem ver a filha e sem contato telefônico devido a um processo de separação conjugal, descreveu a situação como um “tapa na cara”. Ele relatou que, após a aprovação do projeto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados em dezembro de 2025, muitos pais expressaram desespero em grupos sobre alienação parental, chegando a cogitar medidas extremas.
“Para mim, foi um tapa na cara”, declarou Stoppa, referindo-se à comemoração de parlamentares de esquerda diante da possível revogação da lei. A legislação em questão, Lei 12.318, define como abuso emocional o ato de um genitor, avós ou tutores prejudicar o vínculo da criança com o outro genitor. Partidos como PT e PSOL, com apoio de alguns parlamentares de direita, buscam derrubar esse instrumento legal, gerando apreensão em pais que se sentem desamparados diante da possibilidade de perderem o contato com seus filhos.
Críticas à Esquerda e Acusações de Incentivo ao Feminicídio
Stoppa também fez fortes críticas à esquerda, alegando que o espectro político apoia o sofrimento emocional de crianças e a destruição de famílias. Ele questionou a lógica de defender a proteção da mulher ao mesmo tempo em que se criam situações que podem levar homens ao suicídio, desamparando filhos e companheiras. O ex-influenciador chegou a afirmar que “a esquerda abre brechas para feminicídio”, sugerindo que a pauta de defesa da mulher é utilizada para aumentar o número de casos, a fim de ganhar espaço na mídia.
O jornalista, que trabalhou para o portal progressista Brasil 247, argumentou que a esquerda incentiva as mulheres a “destruir o homem” em discussões e a usar a Lei Maria da Penha para afastá-los. Segundo ele, essa dinâmica impede o diálogo e destrói famílias por motivos que poderiam ser resolvidos com conversas. Stoppa acredita que a situação de sua própria família poderia ter sido resolvida com diálogo se estivessem no espectro político da direita, que, em sua visão, lida com crises relacionais de forma mais construtiva.
Dificuldades no Contato com a Filha e Medida Protetiva
Leonardo Stoppa descreveu as dificuldades que enfrenta para manter contato com sua filha, que mora a 200 quilômetros de distância. Ele relatou que, mesmo com uma decisão judicial que lhe garante o direito de ver a filha em finais de semana alternados e falar com ela por telefone, embaraços são constantemente colocados. Stoppa mencionou ter se prontificado a comprar um aparelho telefônico exclusivo para o contato, mas o pedido foi negado. “Lembrando que não é apenas direito meu falar com minha filha, mas é direito dela”, enfatizou.
As advogadas da ex-esposa de Stoppa, Edna Teixeira e Talitha Camargo, informaram que a decisão judicial limita o convívio paterno e que o contato depende do cumprimento das condições fixadas pelo juízo, em razão do conflito familiar e das medidas protetivas em vigor. Segundo elas, a medida protetiva, prevista na Lei Maria da Penha, decorre de relatos de violência psicológica, perseguição e intimidação, e persiste enquanto houver situação de risco à integridade da vítima. As advogadas esclareceram que o procedimento para os contatos com a filha envolve pedidos formais, com definição de datas e horários, e que a ausência de visitas não decorre de impossibilidade absoluta, mas da necessidade de observância das vias legais.
Impacto da Caminhada de Nikolas Ferreira e Pedido de Visitas Assistidas
Segundo Stoppa, após sua participação na caminhada de Nikolas Ferreira, a defesa da ex-esposa teria entrado com um pedido para que eventuais visitas dele à filha sejam “assistidas” por um profissional. Ele considera essa medida uma “humilhação” e equipara-a a algo “coisa de criminoso”. Stoppa lamenta que o lado que pratica alienação parental se sinta tranquilo devido à morosidade do Poder Judiciário, que, segundo ele, leva ao desespero do outro lado.
A participação de Stoppa na caminhada de Nikolas Ferreira foi motivada pelo sofrimento das famílias dos presos do 8 de janeiro. Ele afirmou que, após passar tanto tempo longe da filha, consegue imaginar a dor dessas pessoas. Para ele, os atos de 8 de janeiro foram resultado da insatisfação popular com as urnas eletrônicas e que o Estado ignorou o pedido de metade da população em relação à impressão dos votos. “Se metade da população não acredita na urna eletrônica, significa que ela não contempla a democracia”, pontuou.