Flávio Bolsonaro critica Judiciário e alinha discurso com linha conservadora internacional
O senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), concedeu uma entrevista ao portal conservador europeu Visegrád, onde teceu fortes críticas à alta cúpula do Judiciário brasileiro. Segundo ele, o sistema judicial teria sido “aparelhado” pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente através de indicações ao Supremo Tribunal Federal (STF).
As declarações de Flávio Bolsonaro surgem em um momento de intensas discussões sobre o papel das instituições democráticas no Brasil. O senador, que também é filho do ex-presidente Jair Bolsonaro, buscou reforçar um discurso alinhado a pautas conservadoras em âmbito internacional, buscando apoio para suas propostas.
Em sua fala, o parlamentar apontou nomes específicos e criticou o que considera ser uma perseguição política contra seu pai. As declarações foram divulgadas em meio a movimentações pré-eleitorais e debates sobre a atuação do Judiciário em processos envolvendo figuras políticas. Conforme informação divulgada pelo portal Visegrád, Flávio Bolsonaro afirmou que a situação brasileira mudará a partir de 2027.
“Aparelhamento” do Judiciário e críticas a ministros do STF
Flávio Bolsonaro detalhou suas acusações, afirmando que Lula indicou ao STF nomes com “vínculo direto com seu governo e com sua defesa pessoal”. Ele citou especificamente o ministro Flávio Dino, ex-ministro da Justiça, e Cristiano Zanin, que atuou como advogado pessoal de Lula. O senador também mencionou o ministro Alexandre de Moraes, classificando-o como um “inimigo declarado” do ex-presidente Jair Bolsonaro.
“Infelizmente, a alta cúpula do Judiciário no Brasil está aparelhada pelo Lula”, declarou o senador. Ele acrescentou que Dino e Zanin teriam participado do que chamou de “farsa” que condenou Jair Bolsonaro. Flávio Bolsonaro reiterou que seu pai sofre uma “grande perseguição” e foi julgado por seus “próprios inimigos”.
Propostas de política externa e segurança pública
Em relação à política externa, Flávio Bolsonaro sinalizou que, em um eventual governo, o Brasil buscaria uma reaproximação com os Estados Unidos e com países que “compartilham valores democráticos e judaico-cristãos”. Ele reconheceu o “papel importantíssimo dos Estados Unidos” e defendeu uma relação “bastante pragmática”, priorizando nações com democracia e valores ocidentais.
Flávio Bolsonaro também defendeu uma política de segurança pública mais rigorosa, com inspiração no modelo de El Salvador, liderado por Nayib Bukele. Ele criticou a possibilidade de presos votarem no Brasil, afirmando que as “cadeias do Brasil” teriam comemorado a eleição de Lula em 2022, e que “90% dos presos votaram em Lula”.
Apoio a Israel e combate ao terrorismo
O senador expressou apoio a Israel e defendeu a cooperação com o país e com os Estados Unidos no combate ao terrorismo. Flávio Bolsonaro mencionou a atuação de grupos terroristas na região da Tríplice Fronteira, entre Brasil, Argentina e Paraguai, que estariam financiando o crime organizado, o que demandaria parcerias internacionais na área de segurança nacional.
Ele afirmou que a única certeza que tem é que Lula “não vai mais ser presidente do Brasil a partir do próximo ano”, e que seu projeto político visa mudar o cenário atual a partir de 2027.