Fim de Tratado Nuclear EUA-Rússia Abre Porta para Corrida Armamentista com a China, Especialistas Alertam

Fim de Tratado Nuclear EUA-Rússia Abre Porta para Corrida Armamentista com a China, Especialistas Alertam

Resumo

O mundo entra em um novo período de incertezas com o fim do tratado New Start, elevando preocupações sobre uma nova corrida armamentista entre EUA, Rússia e China.

O último tratado nuclear em vigor entre Estados Unidos e Rússia, conhecido como New Start, expirou sem a confirmação de um novo acordo entre os presidentes Donald Trump e Vladimir Putin. Essa expiração marca o fim de um período de controle de armas nucleares e acende o alerta para uma possível nova corrida armamentista.

O temor é que a disputa não se limite mais a duas, mas envolva as três principais potências militares do planeta: Estados Unidos, Rússia e China. A falta de um acordo renovado abre um cenário de imprevisibilidade global.

Em vigor desde 2010, o New Start estabelecia limites para os arsenais nucleares estratégicos de Moscou e Washington, com um teto de 1.550 ogivas e 700 sistemas de mísseis balísticos para cada lado. O tratado foi renovado em fevereiro de 2021 por mais cinco anos, mas a ausência de um novo pacto levanta sérias questões sobre o futuro do controle de armas. Conforme divulgado pelo portal Axios, delegações americana e russa estariam negociando uma prorrogação do tratado.

A China como peça central na nova dinâmica nuclear

A Rússia chegou a propor uma extensão de um ano do acordo, mas essa oferta foi ignorada pelos Estados Unidos. A justificativa americana, sob a administração Trump, foi a necessidade de incluir a China nas negociações, algo que Pequim rejeita, alegando não possuir um arsenal comparável.

Atualmente, EUA e Rússia detêm 87% das armas nucleares globais. No entanto, a China tem expandido seu arsenal de forma acelerada. Projeções indicam que, em uma década, Pequim poderá alcançar 1.500 ogivas nucleares, tornando-se uma preocupação central para Washington.

Estatísticas revelam crescimento assimétrico nos arsenais

Dados compilados pelo Conselho de Riscos Estratégicos (Council on Strategic Risks) mostram um crescimento desigual dos arsenais nos últimos 13 anos. Moscou aumentou em 22% seus sistemas com capacidade nuclear, incluindo um crescimento de 20% em submarinos com armas nucleares e mísseis balísticos lançados por submarinos (SLBMs).

A China, por outro lado, demonstrou um crescimento ainda mais expressivo, com um aumento de 635% em mísseis balísticos de alcance intermediário e a introdução de novos tipos de veículos de lançamento. Em contraste, Washington reduziu em 17% seu arsenal de SLBMs e em 11% sua força de mísseis balísticos intercontinentais (ICBMs).

Histórico de violações e a teoria dos três escorpiões

Desde 2010, a Rússia tem um histórico de violações, suspensões e abandono de acordos de controle de armas. Em 2022, Moscou suspendeu as inspeções do New Start e, em 2023, suspendeu sua participação no tratado e retirou a ratificação do Tratado de Proibição Completa de Testes Nucleares.

Especialistas em estratégia nuclear alertam que a entrada da China como uma terceira grande potência atômica rompe o modelo de estabilidade da Guerra Fria, comparado à “teoria dos dois escorpiões”. O analista Andrew F. Krepinevich Jr. descreve um sistema tripolar mais caótico, onde cada país precisa se defender de dois adversários simultaneamente, aumentando o risco de erros de cálculo e escaladas em crises.

Prioridades de segurança e restrições orçamentárias podem frear corrida

Apesar das tensões, fatores como prioridades de segurança e restrições orçamentárias podem limitar uma nova corrida armamentista. O Instituto Internacional de Estudos Estratégicos (IISS) aponta que EUA e Rússia mantêm uma paridade atual.

A situação financeira da Rússia, com um déficit orçamentário e receitas de petróleo e gás reduzidas devido à guerra na Ucrânia, sugere que o país pode não ter recursos para um investimento massivo em armas nucleares. Os EUA, por sua vez, parecem mais focados em desenvolver defesas antimísseis, como o sistema “Domo Dourado”, do que em expandir seus próprios arsenais.

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