Hackers Asiáticos Suspeitos de Espionar Governo Brasileiro por "Terras Raras": MME Nega Invasão, Mas Aciona Instâncias de Segurança

Hackers Asiáticos Suspeitos de Espionar Governo Brasileiro por “Terras Raras”: MME Nega Invasão, Mas Aciona Instâncias de Segurança

Resumo

Hackers Asiáticos Investigados por Espionagem de Minerais Críticos no Brasil: Entenda o Caso

O Ministério de Minas e Energia (MME) do Brasil pode ter sido alvo de uma sofisticada operação internacional de ciberespionagem. A suspeita recai sobre um grupo hacker com possíveis ligações a interesses estatais asiáticos, atuando em um cenário de acirrada disputa global por minerais críticos, as chamadas “terras raras”.

A investigação, conduzida pela divisão de inteligência de ameaças da Palo Alto Networks, a Unit 42, identificou a atuação do grupo TGR-STA-1030 contra governos e infraestruturas estratégicas em mais de 37 países. O Brasil figura entre as nações monitoradas, com foco específico nos sistemas do MME, conforme apuração inicial do site Tecmundo e confirmada pela Gazeta do Povo.

O Ministério de Minas e Energia, no entanto, negou veementemente qualquer tentativa de invasão em seus sistemas. A pasta afirmou que não detectou tráfego anormal ou atividades suspeitas, assegurando que, mesmo em caso de acesso indevido, informações classificadas ou estratégicas não seriam comprometidas. Apesar da negativa, o MME informou ter acionado as instâncias competentes para investigar o ocorrido como medida preventiva.

A Disputa Global por “Terras Raras” e o Interesse no Brasil

Segundo o relatório da Unit 42, o grupo TGR-STA-1030 teria como alvo o MME brasileiro devido à posição do país como o segundo maior detentor de reservas de minerais de terras raras no mundo. Esses minerais são considerados essenciais para o desenvolvimento de tecnologias avançadas, setores de energia e defesa, aumentando o interesse internacional sobre as riquezas minerais brasileiras.

A investigação aponta que o grupo opera a partir da Ásia, com base em padrões técnicos, uso de ferramentas regionais e escolha de alvos. A atuação suspeita teria ocorrido entre novembro e dezembro de 2025, período em que os pesquisadores observaram um escaneamento sistemático de infraestruturas governamentais em 155 países em busca de vulnerabilidades.

Intensificação das Negociações Comerciais e Investimentos Estrangeiros

O suposto comprometimento dos sistemas do MME coincide com um período de intensificação das negociações comerciais envolvendo minerais críticos, especialmente entre Estados Unidos e China. Relatos indicam que as exportações desses minerais pelo Brasil triplicaram no primeiro semestre de 2025.

Esse cenário de busca por diversificação da cadeia global de suprimentos, com países ocidentais tentando reduzir a dependência asiática, é reforçado por investimentos recentes. Em outubro, o encarregado de negócios dos EUA no Brasil reuniu-se com executivos do setor de mineração, e a Corporação Financeira de Desenvolvimento Internacional dos EUA investiu US$ 465 milhões na produtora brasileira de terras raras, Serra Verde.

MME Detalha Medidas de Segurança e Resposta

Em sua resposta oficial, o MME destacou que realiza monitoramento contínuo de segurança, adota tecnologias alinhadas a normas nacionais e internacionais e atualizou sua Política de Segurança da Informação. A pasta assegura que suas estruturas de proteção de dados são robustas.

“Mesmo que tivesse havido um acesso indevido ao ambiente tecnológico do ministério, não resultaria em acesso a informações classificadas, sensíveis ou estratégicas ainda não publicizadas”, afirmou o ministério. Como medida preventiva, o MME acionou instâncias competentes do governo para reforçar a segurança cibernética, demonstrando compromisso com a transparência e a proteção das informações públicas.

Outros Países na Mira do Grupo Hacker

Além do Brasil, a investigação da Unit 42 apontou o monitoramento de estruturas governamentais no Canadá, República Dominicana, Guatemala, Honduras, Jamaica, México, Panamá e Trinidad e Tobago. Em outros casos, o grupo teria comprometido entidades de aplicação da lei, ministérios da Fazenda e autoridades eleitas.

O relatório também menciona o provável comprometimento de entidades governamentais na Bolívia, México, Panamá e Venezuela, traçando paralelos com eventos políticos e parcerias tecnológicas em andamento na região.

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