Lula ataca redes sociais e diz que mundo está “muito nervoso” na TV indiana, defendendo regulação
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) retomou suas críticas às chamadas “big techs” nesta sexta-feira (20), afirmando que as redes sociais são usadas por pessoas com más intenções para espalhar mentiras e que o mundo está “muito nervoso”. As declarações foram feitas durante uma entrevista à emissora India Today, em Nova Delhi, na Índia, onde o presidente cumpre agenda oficial.
As novas críticas ocorrem um dia após Lula defender a regulação das redes sociais e da inteligência artificial em uma conferência na capital indiana. O presidente expressou preocupação com o impacto negativo dessas plataformas na sociedade.
“Acredito que o que chamamos de rede social é algo que não tem muito de social. Tem um lado negativo das redes que pessoas com má-fé, com más intenções, usam [as redes] e mentiras prevalecem, coisas ruins prevalecem”, disse Lula à India Today. Conforme informação divulgada pelo G1, o presidente defendeu punições mais rígidas para as plataformas digitais, argumentando que conteúdos violentos devem ser responsabilizados judicialmente.
Defesa de Regulação e Punições Mais Rígidas
Lula enfatizou a necessidade de responsabilização das plataformas digitais. “Se não regularmos e perdermos controle, isso não será bom para a humanidade. Poderá ser lucrativo para uma ou outra pessoa, mas não será bom para humanidade. Quem tem de tomar conta da inteligência artificial é a sociedade civil”, completou. Ele também citou como exemplo positivo a recente medida brasileira de restringir o uso de celulares nas escolas, considerando-a um “ganho extraordinário para a educação”.
Críticas à Comunicação de Líderes Mundiais
O presidente também criticou a forma como líderes mundiais se comunicam atualmente, especialmente por meio de redes sociais. Embora não tenha citado nomes, Lula fez referência à prática de usar essas plataformas para comunicações diplomáticas, algo que ele considera inadequado. “Eu nunca comunicaria uma ação, do meu lado, com a Índia pelo Twitter (antigo nome da rede social X). Eu ligaria para o primeiro-ministro [Narendra] Modi, falaria com Modi primeiro antes de fazer um comunicado”, exemplificou, alertando sobre o risco de ser pego de surpresa por decisões inesperadas.
Protagonismo de Emergentes e Reforma da ONU
Em outro ponto de sua fala, Lula defendeu um maior protagonismo internacional de países emergentes e reforçou a importância do Brics (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) na diplomacia mundial. Ele destacou a necessidade de reforma no Conselho de Segurança da ONU, com a inclusão permanente de nações como Brasil, Índia, Alemanha e Japão. “Toda guerra começa com guerra comercial. O Brasil não deseja uma segunda Guerra Fria. Nós não queremos uma Guerra Fria entre China e Estados Unidos”, pontuou.
Brics como Esperança e Inovação
O presidente exaltou iniciativas do bloco econômico, como o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), citando-o como uma alternativa às instituições financeiras tradicionais e um exemplo de que “nós podemos inovar no século 21”. “O Brics é essa esperança”, concluiu, reiterando o discurso recente que enaltece o bloco como defensor do multilateralismo.