Advogado de ex-assessor de Bolsonaro é alvo de representação no STF por vídeo de Flávio Dino
Um vídeo divulgado nas redes sociais pelo advogado Jeffrey Chiquini, que defende Filipe Martins, ex-assessor do ex-presidente Jair Bolsonaro, colocou o próprio Chiquini na mira do Supremo Tribunal Federal (STF). As imagens mostram o ministro Flávio Dino em plena folia do Carnaval de 2023, pulando e fazendo o gesto do “L”, símbolo da campanha do atual presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Na época da gravação, Flávio Dino ocupava o cargo de Ministro da Justiça e Segurança Pública. A publicação do vídeo por Chiquini desencadeou uma ação judicial movida por outro advogado, Odair José, que já atuou no governo do Maranhão durante a gestão de Dino. Segundo a petição, a atitude de Chiquini configura um ataque ao tribunal e deveria resultar na abertura de um inquérito ou na inclusão do episódio em investigações já em andamento.
A notícia sobre a representação gerou uma forte reação de Jeffrey Chiquini. Em sua conta na plataforma X, ele questionou a iniciativa, escrevendo: “Flávio Dino mandou seu braço direito me acusar no STF?”. O advogado reforçou a autenticidade do vídeo, que foi postado inicialmente em 17 de fevereiro, negando qualquer tipo de montagem e comentando a proximidade entre Odair José e o ministro.
Vídeo de Flávio Dino e a polêmica no Carnaval
As imagens que motivaram a ação judicial foram gravadas em São Luís, durante o Carnaval de 2023, e mostram Flávio Dino em cima de um trio elétrico da cantora Vanessa da Mata. Ao divulgar o material, Chiquini legendou o vídeo com: “Flávio Dino pulando carnaval fazendo o L”. Ele ainda acrescentou que, na legislação vigente, a conduta configuraria crime de responsabilidade por atividade político-partidária, algo vedado a ministros do STF. No entanto, notas da comunidade na própria rede social apontaram que, na data da gravação, Dino ainda não integrava o STF.
Histórico de confrontos entre Chiquini e Dino no STF
Este não é o primeiro embate entre o advogado Jeffrey Chiquini e o ministro Flávio Dino no ambiente do STF. Em maio de 2024, durante uma sessão da Primeira Turma, Dino já havia advertido Chiquini sobre o tom de suas sustentações orais, mencionando a possibilidade de prisão em caso de desrespeito à ordem da sessão. Meses depois, outra repreensão ocorreu, com Dino considerando que o advogado extrapolava os limites ao criticar diretamente a atuação do STF e a condução de investigações.
O ponto alto desses confrontos ocorreu em dezembro de 2025, quando Chiquini foi retirado da tribuna por um policial, a mando de Dino, que presidia o colegiado. Na ocasião, Dino disse: “eu dei ordem ao policial, doutor, por favor retorne ao seu lugar”.
Chiquini reage e acusa perseguição
Em outra postagem sobre o vídeo, Chiquini questionou a quem ele se referiu como “comunistinha de iPhone”, insinuando que a ação no STF foi orquestrada por Flávio Dino. Ele se perguntou se essa pessoa denunciaria a todos que compartilharam o vídeo e concluiu: “É óbvio que não. É óbvio que é perseguição contra mim.” A publicação inicial do vídeo ocorreu em 17 de fevereiro, e Chiquini ressaltou que as imagens são autênticas e não necessitam de datação.