Brasil e Índia firmam parceria estratégica para minerais críticos e terras raras, impulsionando a transição energética e a indústria tecnológica.
O Brasil e a Índia oficializaram um importante acordo para cooperação em minerais críticos e terras raras. A iniciativa, assinada pelos presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Narendra Modi, tem como objetivo principal assegurar o fornecimento de insumos estratégicos essenciais para a transição energética e o avanço da indústria de alta tecnologia em ambos os países.
Esta colaboração reforça a posição do Brasil como fornecedor chave de materiais como nióbio e terras raras, enquanto a Índia busca diversificar suas fontes e fortalecer sua capacidade produtiva em setores como inteligência artificial e semicondutores. A parceria visa, ainda, a construção de cadeias de suprimentos mais resilientes e competitivas no cenário global.
Conforme informações divulgadas, o acordo é um passo significativo para a inserção mais ativa de Brasil e Índia na agenda climática e energética internacional, garantindo que ambos os países ocupem um lugar de destaque no desenvolvimento e acesso a tecnologias cruciais para o futuro. A cooperação inclui investimentos e intercâmbio técnico, com foco em minerais essenciais como lítio, nióbio e terras raras.
Brasil se torna peça chave para a Índia no fornecimento de minerais estratégicos
O acordo abre caminho para que empresas indianas invistam em ativos de mineração no Brasil e importem matérias-primas com benefícios fiscais. Essa movimentação estratégica visa diversificar o acesso da Índia a recursos vitais, reduzindo a dependência de um único fornecedor e fortalecendo sua posição no mercado global. O Brasil, detentor de cerca de 90% da produção mundial de nióbio e com vastas reservas de terras raras, assume um papel de protagonista nos planos indianos.
A iniciativa está alinhada com a política indiana de “Missão de Minerais Críticos”, que prevê isenções tributárias para a importação de 25 minerais considerados essenciais para o desenvolvimento industrial e tecnológico do país. O objetivo é fortalecer a cadeia de suprimentos indiana e aumentar sua competitividade, especialmente em relação à China, que atualmente domina grande parte do mercado.
Novas metas comerciais e facilitação de vistos entre Brasil e Índia
Além da cooperação em minerais, Brasil e Índia revisaram suas metas de comércio bilateral, estabelecendo o objetivo de alcançar US$ 30 bilhões até 2030. Este número representa um aumento considerável em relação aos mais de US$ 15 bilhões registrados em 2025. Para facilitar a expansão desses negócios, foi acertada a extensão da validade de vistos de turismo e negócios de cinco para dez anos, simplificando o fluxo de pessoas e oportunidades entre os dois países.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, ressaltou a importância do acordo para a construção de cadeias de suprimentos resilientes e destacou a prioridade dada à colaboração em áreas como inteligência artificial, supercomputação e semicondutores. Ele enfatizou que ambos os países acreditam que a tecnologia deve ser inclusiva e acessível.
Índia expande parcerias na América Latina para garantir acesso a lítio
Em paralelo, a Índia avança em negociações para ampliar seu acordo comercial com o Chile, com o objetivo de obter acesso preferencial ao lítio, outro mineral crucial para a transição energética e a produção de baterias. Essa estratégia de diversificação de fornecedores e consolidação de parcerias na América Latina é fundamental para garantir o fluxo de matérias-primas necessárias para o processamento no mercado asiático.
A parceria com o Brasil e as negociações com o Chile demonstram a visão estratégica da Índia em assegurar recursos minerais essenciais para seu crescimento econômico e tecnológico, ao mesmo tempo em que fortalece laços diplomáticos e comerciais na região.