Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, é preso em operação bilionária: entenda o caso que abala Brasília e a CPI do Crime Organizado
A Polícia Federal prendeu preventivamente o banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, em uma ação que promete repercussões significativas em Brasília. A prisão faz parte da terceira fase da Operação Compliance Zero, que investiga um esquema complexo envolvendo fraudes financeiras em larga escala, corrupção e até mesmo uma estrutura de intimidação contra autoridades.
A investigação, iniciada no final de 2025, mira em crimes estruturais no Banco Master. O nome da operação, ‘Compliance Zero’, faz uma alusão direta à suposta ausência de mecanismos de controle na instituição, que é suspeita de maquiagem de balanços com ativos falsos para ocultar prejuízos e enganar o mercado financeiro.
Daniel Vorcaro é apontado pelas autoridades como o líder de uma organização criminosa dividida em núcleos. Ele teria comandado fraudes contábeis bilionárias e lavagem de dinheiro. Além disso, um preocupante ‘núcleo de intimidação’ funcionava como uma milícia privada, encarregada de monitorar e perseguir ilegalmente jornalistas, críticos e autoridades que pudessem interferir nos negócios do grupo.
Prisão coincide com depoimento na CPI do Crime Organizado
A prisão de Daniel Vorcaro e de seu cunhado, Fabiano Zettel, ocorreu em uma coincidência notável, no mesmo dia em que ambos deveriam prestar depoimentos na CPI do Crime Organizado. Ambos haviam obtido um salvo-conduto do Supremo Tribunal Federal (STF) para não comparecer à comissão. Essa circunstância levou analistas a interpretarem a ação da Polícia Federal como um recado institucional e uma resposta do Judiciário à pressão exercida pelo Congresso.
Investigação foca no núcleo empresarial, mas citações a autoridades levantam questões
Embora o caso tramite no STF devido à menção inicial de um deputado federal, nenhuma autoridade com foro privilegiado foi alvo direto nesta fase da operação. A CPI havia aprovado convites para esclarecimentos de nomes ligados a ministros do STF, em razão de relações contratuais familiares com o banco. Contudo, a atual etapa da Operação Compliance Zero concentrou seus esforços exclusivamente no núcleo empresarial e seus operadores.
O que esperar após a prisão de Daniel Vorcaro?
Especialistas acreditam que a pressão por uma delação premiada aumentou drasticamente para Daniel Vorcaro. Além da prisão preventiva, a Justiça determinou o bloqueio de mais de R$ 2,2 bilhões pertencentes à família do banqueiro. Com poucas opções de manobra e o avanço da perícia em seus dispositivos eletrônicos, o banqueiro pode optar por colaborar com a Justiça.
Essa colaboração, caso ocorra, teria o potencial de alcançar figuras influentes em Brasília, desvendando a extensão completa do esquema investigado. A Operação Compliance Zero continua em andamento, com a expectativa de novas revelações nos próximos dias, conforme informações apuradas pela equipe de repórteres da Gazeta do Povo.