Ministro Mendonça: "O bom juiz não é estrela", diz no Rio e arranca aplausos de advogados em meio a crise no STF

Ministro Mendonça: “O bom juiz não é estrela”, diz no Rio e arranca aplausos de advogados em meio a crise no STF

Resumo

Ministro André Mendonça defende ética judicial e recebe aplausos da advocacia em evento no Rio de Janeiro

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, foi calorosamente aplaudido por advogados presentes no evento “Os desafios da advocacia no século XXI”, promovido pela OAB-RJ. Em sua fala, Mendonça enfatizou a importância da ética e da dedicação ao dever, distanciando-se da busca por protagonismo individual nos julgamentos.

As declarações do ministro ganham destaque em um cenário de crescente crise de credibilidade enfrentada pelo STF. A necessidade de fortalecer a confiança da sociedade nas instituições judiciais tem sido um tema recorrente, com o presidente da Corte, ministro Edson Fachin, articulando esforços para a criação de um código de ética.

Nesse contexto, Mendonça tem buscado contribuir para a pacificação e a reafirmação dos valores institucionais. Sua participação no evento da OAB-RJ, onde defendeu a postura de um bom juiz focado no cumprimento do dever, ressoa como um chamado à responsabilidade e à discrição na condução dos casos.

“Meu grande desafio, em qualquer processo, é entender o que é certo, decidir de modo certo e fazer isso pelos motivos certos, ou seja, simplesmente pelo dever de fazer o certo. Por isso que eu não tenho a pretensão de ser uma esperança ou alguém diferente em algum sentido, com algum dom especial. Não, eu tenho só expectativa de fazer o certo pelos motivos certos. E acho que esse é o papel de um bom juiz. **O papel do bom juiz não é ser estrela”**, declarou Mendonça, sendo recebido com aplausos.

Magistrados como servidores públicos e a responsabilidade com a sociedade

O ministro ressaltou que os magistrados exercem um múnus público e, como tal, devem zelar pela **”relação de confiança que a sociedade e o cidadão depositam”** neles. A cada decisão, a responsabilidade com a Justiça, a Constituição e a sociedade deve ser o guia da atuação, conforme enfatizou o ministro.

“A cada dia, a cada decisão, procurar ter em mente a responsabilidade nossa com a Justiça, com a Constituição, com o país, com a sociedade”, completou Mendonça. Ele reiterou que não almeja ser um “salvador de nada”, mas sim cumprir seu dever com retidão e transparência.

“Eu entendo que é um múnus público, ali há muito mais responsabilidade e deveres do que prerrogativas e poderes”, concluiu o ministro, recebendo mais uma vez a aprovação dos advogados presentes.

O caso Master e a crise de credibilidade no STF

As declarações de Mendonça ocorrem em um momento delicado para o STF, marcado pela crise de credibilidade. O ministro foi designado para relatar o caso Master, substituindo Dias Toffoli, após a Polícia Federal ter solicitado o afastamento deste último. A decisão de Toffoli em deixar o caso, mesmo com apoio dos demais ministros, gerou repercussão.

A investigação do caso Master envolve conexões do banqueiro Daniel Vorcaro com figuras próximas a outros ministros, como Alexandre de Moraes. Embora Moraes negue qualquer diálogo, suas ligações e as de seus familiares com Vorcaro foram apontadas em investigações, adicionando mais complexidade ao cenário de questionamentos sobre a atuação da Corte.

A defesa de uma atuação ética e discreta por parte dos juízes, como a proposta por André Mendonça, busca reforçar a importância da **imparcialidade e da confiança** no Judiciário, especialmente em tempos de escrutínio público intenso.

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