Lula critica ações de EUA contra Cuba e Venezuela e defende discurso anticolonialista
Em sua participação no Fórum Celac-África, em Bogotá, na Colômbia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) expressou forte defesa a Cuba e à Venezuela, questionando as ações dos Estados Unidos contra os dois países latino-americanos.
Lula abordou a questão da soberania nacional e o que ele percebe como tentativas de recolonização por parte de potências estrangeiras. O discurso, que evitou menções diretas a Donald Trump, focou em uma crítica mais ampla a intervenções e ao que chamou de “dono dos outros países”.
A fala do presidente brasileiro também se estendeu a críticas contundentes à Organização das Nações Unidas (ONU), que, segundo ele, enfrenta uma “falta total e absoluta de funcionamento”. A declaração foi feita no contexto de questionamentos sobre a legalidade de incursões militares em território estrangeiro, conforme divulgado em seu discurso no evento.
Críticas à ONU e questionamentos sobre intervenções internacionais
Durante sua intervenção no Fórum Celac-África, o presidente Lula levantou dúvidas sobre a legitimidade de ações militares em outros países. “Em que documento do mundo está dito isso? Nem na Bíblia”, questionou o petista, enfatizando a ausência de base legal para tais intervenções.
Ele comparou as ações a um processo de “recolonização”, sugerindo que a força e o poder estão sendo utilizados para subjugar nações. A crítica à ONU se deu pela percepção de ineficácia do órgão em mediar conflitos e garantir a soberania dos estados membros.
Discurso anticolonialista e a associação com o comércio exterior
O presidente Lula propôs que empresas estrangeiras interessadas em explorar matérias-primas na América Latina e na África deveriam investir e se instalar nesses continentes. Ele associou o histórico do comércio exterior a um ciclo de exploração e perda de soberania.
“Fizemos luta pela independência, conquistamos democracia, perdemos democracia, agora estão querendo nos colonizar outra vez”, afirmou Lula, ressaltando a importância de as nações latino-americanas e africanas não serem meros exportadores de recursos naturais.
Ameaça de colonização e a exploração de minerais
Lula exemplificou a situação com a relação entre Estados Unidos e Bolívia, especialmente no que tange à exportação de minerais essenciais para a produção de componentes eletrônicos. O presidente argumentou que países como a Bolívia têm a oportunidade de “não aceitar ser apenas exportador de minerais para eles”.
Ele relembrou que muitos países da região já sofreram com o “saque” de seus recursos naturais. “Aqui, neste plenário, todo mundo tem experiência de que o seu país já foi saqueado em tudo que é ouro que tinha, tudo que é prata, que é diamante, tudo que é minério”, declarou o presidente, reforçando a necessidade de um novo modelo de desenvolvimento e cooperação internacional.