El Helicoide: De Sonho Capitalista a Inferno de Tortura, o Shopping que Virou Símbolo da Repressão na Venezuela

El Helicoide: De Sonho Capitalista a Inferno de Tortura, o Shopping que Virou Símbolo da Repressão na Venezuela

Resumo

O Futuro Incerto do El Helicoide: De Shopping de Luxo a Museu da Memória ou Continuação do Pesadelo?

El Helicoide, um gigante de concreto em Caracas, outrora concebido como um símbolo de prosperidade e modernidade, hoje ecoa histórias sombrias de repressão e violação de direitos humanos. Projetado nos anos 1950 como um shopping center inovador, com rampas em espiral para acesso direto às lojas em estilo drive-thru, o edifício nunca chegou a cumprir sua vocação original.

Após um longo período de abandono e ocupação por sem-teto, El Helicoide encontrou um novo e sinistro propósito nos anos 1980, tornando-se a sede da Dirección de los Servicios de Inteligencia y Prevención (DISIP), o serviço de inteligência venezuelano. Com a ascensão do chavismo, o local foi progressivamente transformado em um centro de detenção, onde os espaços destinados ao comércio deram lugar a celas e salas de tortura.

A recente captura do ditador Nicolás Maduro levanta questões cruciais sobre o destino deste emblemático edifício. Será que El Helicoide retomará sua visão inicial de um paraíso de consumo, ou se tornará um solene “Museu da Memória”, um alerta eterno contra os horrores cometidos em nome da revolução bolivariana? Conforme informações divulgadas, o futuro do El Helicoide permanece incerto, enquanto os detentos ainda ocupam suas instalações, aguardando um desfecho agonizante. A história do El Helicoide, em si, é uma metáfora da própria Venezuela, marcada por promessas desfeitas e transformações drásticas.

Da Arquitetura Visionária à Prisão Sombria

O projeto original de El Helicoide, datado da década de 1950, era um ode ao capitalismo e à modernidade. A ideia era criar um espaço onde os consumidores pudessem dirigir seus carros até a porta das lojas, em um conceito de shopping center de luxo sem precedentes. As rampas em espiral prometiam levar a cerca de 300 estabelecimentos comerciais.

No entanto, a obra foi interrompida após a queda do general Marcos Pérez Jiménez em 1958. O edifício ficou inacabado e abandonado por anos, até que, nos anos 1980, o Estado decidiu utilizá-lo como sede de agências de segurança. A partir do fim dos anos 1990, com a chegada de Hugo Chávez ao poder, o local começou a ser descaracterizado, com as antigas áreas comerciais sendo adaptadas para se tornarem celas e centros de repressão.

O Inferno de El Helicoide: Relatos de Desumanidade e Tortura

Relatos de ex-detentos e investigações jornalísticas descrevem El Helicoide como um verdadeiro inferno na Terra. Jornalistas que tiveram acesso ao local e presos que lá estiveram relatam a ausência de condições adequadas de ventilação, saneamento básico e celas dignas. Escritórios, banheiros e depósitos foram convertidos em calabouços.

Existem áreas com nomes sinistros, como “O Aquário” e, o que é descrito como o pior local, o setor conhecido como “Guantánamo”. Este último seria um depósito de 12 metros, sem luz, água ou banheiro, onde relatos indicam que o regime chegou a amontoar 50 pessoas simultaneamente. O cheiro é descrito como insuportável, com detentos forçados a urinar em garrafas plásticas e a usar sacolas para suas necessidades fisiológicas.

Vítimas da Repressão e a Tortura Institucionalizada

Ao longo das décadas, El Helicoide abrigou uma série de opositores políticos e cidadãos comuns detidos arbitrariamente. Entre os “hóspedes” forçados do regime chavista estão nomes como María Oropeza, membro da equipe de campanha de María Corina Machado, que foi sequestrada e mantida incomunicável por meses. Alfredo Díaz, ex-governador do estado de Nova Esparta, morreu sob custódia após ter, supostamente, atendimento médico negado.

Rocío San Miguel, advogada e defensora dos direitos humanos, também esteve detida em El Helicoide, acusada de conspiração. Outros nomes notórios incluem Rosmit Mantilla, o primeiro deputado abertamente gay da Venezuela, e Roberto Marrero, chefe de gabinete de Juan Guaidó. Estudantes, militares dissidentes e cidadãos comuns também amargaram dias e noites nas entranhas de El Helicoide.

As denúncias de tortura sistemática são alarmantes. Há relatos do uso de choques elétricos em partes sensíveis do corpo, sufocamento com sacos plásticos, espancamentos brutais, “crucifixão” com suspensão pelos pulsos e tortura psicológica, incluindo simulações de execução. A “limpeza” do centro de tortura antes de visitas internacionais, como a da ex-comissária da ONU Michelle Bachelet em 2019, evidencia a farsa do “tratamento humano” para ocultar a realidade brutal.

Um Símbolo da Ruína Venezolana

A infâmia de El Helicoide transcendeu as fronteiras da denúncia jornalística, tornando-se tema de estudos e documentários, como a produção “El Helicoide: The Shopping Mall That Became a Torture Prison” da BBC News. A obra detalha como este ícone da modernidade venezuelana se tornou um símbolo de sua ruína e de um período sombrio na história do país.

Enquanto a Venezuela vislumbra a possibilidade de uma mudança política com a queda de Nicolás Maduro, El Helicoide permanece como uma cicatriz de concreto na capital. Seu futuro ainda é incerto, mas a esperança é que este local, palco de tantas atrocidades, possa um dia ter um destino menos sombrio, talvez como um memorial à memória e à luta pela liberdade.

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