A recente declaração de inelegibilidade de Cláudio Castro até 2030 pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) representa um revés significativo para o Partido Liberal (PL) na disputa por vagas no Senado. A saída do ex-governador do Rio de Janeiro do cenário eleitoral enfraquece a estratégia do PL de eleger senadores alinhados com a pauta de fiscalização e, se necessário, impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
A principal meta do PL para as eleições deste ano é formar uma maioria no Senado com o intuito de reequilibrar os poderes da República e conter o que o partido considera decisões abusivas do STF. O Senado tem o papel constitucional de fiscalizar o Supremo, incluindo a possibilidade de julgar pedidos de impeachment contra seus membros.
A decisão do TSE, anunciada na última terça-feira, pegou o partido de surpresa. Cláudio Castro, que nega as irregularidades e já anunciou que recorrerá da decisão, pretendia concorrer mesmo que sua candidatura fosse sub judice. No entanto, o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, indicou que o partido não correrá riscos e só manterá Castro como candidato se a decisão do TSE for revertida. O caso de Castro foi julgado por abuso de poder político e econômico, além de captação ilícita de recursos na eleição de 2022.
Novas Apostas para o Senado: Crivella e Curi em Destaque
Sem a presença de Cláudio Castro, o PL e a base de apoio de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro correm o risco de perder as duas vagas em disputa para o Senado. O outro candidato apoiado por Flávio é Márcio Canella (União Brasil), atual prefeito de Belford Roxo. Em pesquisa recente do Instituto Real Time Big Data, Canella obteve entre 5% e 9% das intenções de voto, enquanto Castro registrava entre 11% e 36%, dependendo do cenário. Entre os dois, aparecem Marcelo Crivella (Republicanos) e Benedita da Silva (PT).
A pesquisa, que ouviu 2.000 eleitores em 9 e 10 de março, com margem de erro de dois pontos percentuais e índice de confiança de 95%, aponta para um cenário competitivo. Sem Castro, as chances de Marcelo Crivella, aliado da família Bolsonaro, e de Benedita da Silva, candidata pelo PT, aumentam. Crivella registrou 15% das intenções de voto, e Benedita variou entre 9% e 16%.
Felipe Curi, o Delegado que Ganha Espaço
Um nome que surge com força para preencher a lacuna deixada por Castro é o do delegado Felipe Curi. Ex-secretário estadual de Polícia Civil, Curi ganhou notoriedade após operações policiais no Complexo do Alemão. Ele ainda não é filiado a nenhum partido, mas cogita se juntar ao PL para disputar uma vaga no Senado, o que o colocaria diretamente na estratégia do partido de confrontar o STF.
Curi, que havia sido preterido na disputa pelo governo estadual em favor de Douglas Ruas (PL), agora pode ter sua chance no Senado. Sua candidatura, no entanto, ainda não foi testada em pesquisas eleitorais para este cargo específico. A professora de Ciência Política da UFRJ, Mayra Goulart, destaca que tanto Crivella quanto Curi precisarão demonstrar como reagirão à estratégia do PL de se opor a ministros do STF, uma vez que ainda não há demonstrações inequívocas de suas posições a respeito.
Impacto nas Vagas do Senado e o Legado de Castro
A atual legislatura no Senado conta com três representantes do Rio de Janeiro do PL: Bruno Bonetti, Flávio Bolsonaro e Carlos Portinho. Duas dessas vagas estarão em disputa em outubro. A inelegibilidade de Cláudio Castro, que foi reeleito governador em 2022 com quase 60% dos votos válidos, abre um leque de incertezas para o PL e para a política do estado. A decisão do TSE sobre Castro foi proferida em um julgamento tenso, com votações apertadas e pedidos de vista que estenderam o processo.
O TSE é composto por sete ministros, sendo três deles também ministros do STF: Cármen Lúcia, Nunes Marques e André Mendonça. O processo contra Castro, iniciado em novembro de 2025, foi marcado por divergências e polêmicas, incluindo o tempo de análise dos pedidos de vista. A conclusão foi de cinco votos contrários ao ex-governador e dois a favor de sua absolvição, com a renúncia de Castro ao cargo de governador um dia antes da votação final.