Governo age para garantir voto de Carlos Fávaro em votação sensível da CPMI do INSS
O ministro da Agricultura e Pecuária, Carlos Fávaro, foi exonerado de seu cargo pelo governo federal nesta sexta-feira (27). A decisão, publicada em edição extra do Diário Oficial da União, permitiu que Fávaro retomasse seu posto como senador, com o objetivo de participar de uma votação importante.
A manobra governamental pegou de surpresa a senadora Margareth Buzetti (PP-MT), suplente de Fávaro, que se preparava para votar o relatório da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Buzetti expressou sua insatisfação durante a sessão do colegiado.
“O governo deve estar com medo, com muito medo deste relatório”, declarou Buzetti no microfone, lamentando a pressa do Executivo em assegurar mais um voto. Conforme informações divulgadas, a decisão visa fortalecer a base governista em um momento de alta tensão política. A senadora completou, “Se o Lulinha tem algo a se explicar que ele venha se explicar, mas não ficar escondido atrás do papai”.
Relatório da CPMI do INSS pede indiciamento de 218 pessoas
O relatório em questão, com 4,3 mil páginas, foi lido na íntegra pelo relator, deputado Alfredo Gaspar (União-AL). Gaspar destacou que “altos escalões encobriam assalto a aposentados”. Entre os nomes que a CPMI do INSS pediu o indiciamento estão Fá bio Luí s Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva; o ex-ministro da Previdência Social, Carlos Lupi; e o senador Weverton Rocha (PDT-MA), vice-líder do governo no Senado.
Defesa de Lulinha reage com indignação
A equipe de defesa de Lulinha manifestou indignação com o indiciamento de seu nome nas investigações. A defesa atribui a solicitação ao “caráter eleitoral” da CPMI, sugerindo motivações políticas por trás da decisão da comissão.
STF nega prorrogação dos trabalhos da CPMI
A leitura do relatório da CPMI do INSS, que se estendeu por todo o dia, poderia até mesmo demandar uma sessão extra no sábado (28). No entanto, na véspera, o Supremo Tribunal Federal (STF) negou, por 8 votos a 2, a prorrogação dos trabalhos da comissão por mais 60 dias, decisão que contrariou uma liminar anterior do ministro André Mendonça.
Fávaro já foi exonerado outras vezes para votar pautas do governo
Esta não é a primeira vez que Carlos Fávaro é exonerado de seu ministério para reassumir o cargo de senador e votar matérias de interesse do governo. Desde 2023, o ministro já passou por três exonerações semelhantes. Em novembro de 2023, ele foi liberado para votar o PL das apostas esportivas. Em dezembro de 2024, a exoneração ocorreu para a votação do orçamento de 2025. Mais recentemente, no final de 2025, a manobra se repetiu para a indicação de emendas ao orçamento de 2026. Em todas as ocasiões, Fávaro retornou ao ministério logo após as votações.