Maduro e Cilia Flores se declaram inocentes em tribunal de Nova York, marcando o início de um complexo julgamento.
Nicolás Maduro, presidente da Venezuela, e sua esposa, Cilia Flores, apresentaram-se formalmente perante o juiz Alvin Kenneth Hellerstein, no Tribunal Distrital do Distrito Sul de Nova York. Acusados de narcoterrorismo, tráfico internacional de drogas e uso de armamento pesado, o casal declarou-se inocente dos crimes imputados pela Justiça dos Estados Unidos.
A sessão inicial, realizada nesta segunda-feira, 5, definiu o cenário para um processo que promete ser longo e intrincado. O Tribunal Distrital de Nova York é conhecido por lidar com casos de alta complexidade, envolvendo crime organizado transnacional e ameaças à segurança nacional, o que sublinha a gravidade das acusações contra o líder venezuelano.
Segundo a promotoria federal, Maduro e Flores são apontados como os principais articuladores de uma conspiração que, por mais de duas décadas, teria utilizado estruturas estatais venezuelanas para facilitar o envio de drogas para os Estados Unidos, em aliança com grupos como o Tren de Aragua. A informação foi divulgada conforme a acusação formal apresentada.
O Juiz e a Promotoria: Autoridades Chave no Caso Maduro
A condução do julgamento está a cargo do juiz federal **Alvin Kenneth Hellerstein**, de 92 anos, nomeado em 1998 e com histórico em casos de grande repercussão, incluindo os atentados de 11 de setembro. Hellerstein é conhecido por sua abordagem rigorosa e técnica na condução de processos.
A acusação formal contra o casal foi assinada pelo procurador federal **Jay Clayton**, que lidera o escritório da Procuradoria Federal dos EUA para o Distrito Sul de Nova York. Clayton, com formação em direito e carreira no setor privado, assumiu o cargo em abril do ano passado, indicado pelo então presidente Donald Trump.
Foi sob a chefia de Clayton que o Departamento de Justiça dos EUA tornou pública, no último sábado, 3, a acusação ampliada contra Maduro, sua esposa e aliados, detalhando a suposta integração em uma rede criminosa transnacional associada a grupos como FARC, ELN, Cartel de Sinaloa, Zetas e Tren de Aragua.
A Defesa de Maduro e Cilia Flores: Estratégias e Pedidos
Nicolás Maduro é representado pelo advogado **Barry Pollack**, especializado em casos complexos de segurança nacional e com histórico em disputas de alto teor político, como o caso de Julian Assange. Durante a audiência, Pollack informou que não solicitará liberdade provisória para Maduro, focando em apresentar recursos baseados em alegações de **imunidade e prerrogativas de chefe de Estado**.
Cilia Flores é defendida por **Mark Donnelly**, ex-procurador do Departamento de Justiça dos EUA. A defesa de Flores relatou ao juiz que a mesma sofreu ferimentos durante a captura, solicitando uma avaliação médica adequada enquanto sob custódia federal. Flores dispensou a leitura integral da acusação e declarou-se inocente de todas as imputações.
As Acusações Formais e os Próximos Passos do Processo
Maduro responde, entre outros crimes, por **conspiração para narcoterrorismo**, conspiração para importação de cocaína, posse de metralhadoras e dispositivos explosivos. Cilia Flores é acusada de participação em conspiração para importação de cocaína e crimes relacionados a armas de guerra.
Com a declaração de inocência, o processo entra na **fase pré-processual**. Os próximos passos incluem a troca de provas entre acusação e defesa, análise de pedidos preliminares sobre competência da corte, imunidade, legalidade da captura e admissibilidade das provas. A próxima audiência está marcada para 17 de março.
Até lá, Maduro e Cilia Flores permanecerão sob custódia federal no Metropolitan Detention Center (MDC), no Brooklyn, já que as defesas não solicitaram liberdade provisória ou fiança nesta fase inicial. Analistas jurídicos preveem que o julgamento será **longo e complexo**, devido à amplitude das acusações que cobrem cerca de 25 anos de eventos investigados.