Gleisi Hoffmann defende Jorge Messias e critica editorial do Estadão sobre indicação ao STF
A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, para o cargo de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) gerou um forte embate entre a presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, e o jornal O Estado de S. Paulo. O jornal publicou um editorial intitulado “Senado tem o dever de rejeitar Messias”, o que provocou uma reação imediata da petista.
Gleisi Hoffmann acusou o veículo de imprensa de “se meter onde não deve e agredir gratuitamente” o indicado para o STF. A divergência central reside no conceito de “notável saber jurídico”, um dos requisitos para a nomeação de ministros da Suprema Corte. O editorial do Estadão questionou a capacidade de Messias nesse quesito.
Conforme apurado, o jornal também levantou dúvidas sobre a reputação ilibada de Messias, citando um telefonema vazado pela Operação Lava Jato. Na ocasião, a ex-presidente Dilma Rousseff teria mencionado que Messias levaria a Lula um termo de posse para a Casa Civil, em um cenário de risco de prisão, o que foi posteriormente anulado pelo ministro Gilmar Mendes. A defesa de Messias, segundo Gleisi, foi ignorada pelo veículo.
Trajetória jurídica de Messias é defendida por Gleisi Hoffmann
A presidente do PT argumentou que o Estadão “esconde dos leitores que Jorge Messias construiu uma das mais sólidas trajetórias jurídicas no serviço público brasileiro”. Ela ressaltou a formação acadêmica do indicado, com graduação em direito pela UFPE, mestrado e doutorado em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela UnB, além de produção acadêmica e experiência como professor visitante.
Em sua postagem, Gleisi Hoffmann rebateu diretamente a crítica do jornal sobre o “notável saber jurídico”. Para ela, o termo “notável” exige um conhecimento jurídico “amplamente reconhecido por toda a comunidade jurídica e acadêmica, acima de quaisquer controvérsias”.
Acusações de preconceito contra o governo Lula
A ex-ministra das Relações Institucionais contrapôs a avaliação do jornal, afirmando que “o notório saber jurídico de Jorge Messias para ser ministro do STF é tão patente quanto o notório preconceito e a aversão dos editoriais do Estadão a tudo que emana do presidente Lula, desde os tempos em que ele despontou como líder sindical enfrentando a ditadura”.
A reportagem buscou contato com O Estado de S. Paulo e com a Advocacia-Geral da União (AGU) para obter manifestação sobre o caso. O espaço permanece aberto para futuras declarações de ambas as partes.