Relator da CPI critica "abraço de afogado" do Governo Lula no STF após rejeição de indiciamento de ministros

Relator da CPI critica “abraço de afogado” do Governo Lula no STF após rejeição de indiciamento de ministros

Resumo

Relator da CPI do Crime Organizado critica “abraço de afogado” do Governo Lula no STF após rejeição de indiciamento de ministros

O relator da CPI do Crime Organizado, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), classificou como um “abraço de afogado” a ação do governo Lula, que teria atuado para rejeitar o resultado dos trabalhos da comissão. A CPI votou por 6 a 4 a rejeição do relatório de Vieira, que propunha o indiciamento de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Vieira afirmou que o governo “atravessou a rua para dar um abraço de afogado no Supremo” e que essa atitude “vai cobrar seu preço lá na frente”. A declaração foi feita a jornalistas após a sessão que sepultou o relatório, evidenciando a insatisfação do relator com o desfecho.

A rejeição do relatório ocorreu após mudanças de última hora na composição da CPI, com a substituição de senadores. Vieira apontou a influência do Planalto nessas trocas, enquanto o presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), confirmou que as alterações vieram por ofício da presidência do Senado. Conforme informação divulgada pelo portal UOL, um representante do governo Lula foi procurado, mas não se manifestou sobre o assunto.

Troca de integrantes e interferência do Planalto

A votação que rejeitou o relatório foi marcada por alterações na composição da CPI. Poucas horas antes da decisão, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS) substituiu Jorge Kajuru (PSB-GO), Sergio Moro (PL-PR) deu lugar a Beto Faro (PT-PA) e Marcos do Val (Avante-ES) foi substituído por Teresa Leitão (PT-PE). Essas mudanças foram vistas por Vieira como uma articulação do Planalto.

O presidente da CPI, Fabiano Contarato (PT-ES), confirmou que as trocas de integrantes foram oficializadas por meio de um ofício vindo da presidência do Senado, o que reforça a tese de interferência governamental. Contarato lamentou o fim dos trabalhos da CPI sem resultados expressivos e a decisão de Davi Alcolumbre (União-AP), presidente do Senado, de não prorrogar o prazo da comissão.

Relatório pedia indiciamento de autoridades do STF e PGR

O relatório rejeitado, com 221 páginas, solicitava o indiciamento de três ministros do STF – Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes – além do Procurador-Geral da República, Paulo Gonet. A intenção era investigar supostos desvios e abusos de poder. Na prática, o documento poderia abrir caminho para processos de impeachment contra as autoridades citadas.

A publicação do relatório gerou reação imediata do STF. A presidência da Corte emitiu nota repudiando a inclusão de seus ministros, apesar de reconhecer o direito das CPIs. O Supremo considerou que houve “desvios de finalidade” e uma ameaça às prerrogativas democráticas. O governo Lula, em ano eleitoral, veria com preocupação a possibilidade de processos de impeachment contra figuras ligadas ao Judiciário e ao Ministério Público.

Votação apertada e oposição ao relatório

A rejeição do relatório da CPI do Crime Organizado ocorreu em uma votação apertada. Seis senadores votaram contra o texto, enquanto quatro foram a favor. Os senadores que votaram a favor do relatório foram Alessandro Vieira (MDB-SE), Eduardo Girão (NOVO-CE), Espiridião Amin (PP-SC) e Magno Malta (PL-ES).

Em contrapartida, votaram contra o relatório Beto Faro (PT-PA), Teresa Leitão (PT-PE), Otto Alencar (PSD-BA), Humberto Costa (PT-PE), Soraya Thronicke (PSB-MS) e Rogério Carvalho (PT-SE). A divisão reflete as diferentes visões sobre os rumos da investigação e a atuação das instituições.

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