PF intensifica apuração do Caso Master com novas oitivas e foco em R$ 12 bilhões em ativos falsos.
A Polícia Federal (PF) deu andamento a uma nova fase de investigações referentes à liquidação do Banco Master, agendando uma série de depoimentos para o final de janeiro e o início de fevereiro. A ação busca esclarecer detalhes cruciais sobre as circunstâncias que levaram à intervenção na instituição financeira.
O cerco se fecha em torno de figuras importantes ligadas ao banco e às negociações que o antecederam. Entre os convocados, estão nomes de ex-sócios do banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master, e ex-diretores do Banco Regional de Brasília (BRB), instituição que teve seu processo de compra do Master negado.
As investigações, que tramitam em sigilo por determinação do ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), miram especificamente as informações coletadas durante a Operação Compliance Zero. Esta operação, deflagrada em novembro de 2025, culminou na prisão de Daniel Vorcaro quando ele se preparava para deixar o país, levantando suspeitas sobre uma possível fuga de responsabilidades.
Quem são os convocados para depor?
A lista de convocados pela PF para prestar depoimento no âmbito do Caso Master inclui nomes de peso. Estão previstos para serem ouvidos ex-sócios de Daniel Vorcaro, como Augusto Ferreira Lima, Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro da Silva. Estes indivíduos podem fornecer informações valiosas sobre a gestão e as operações do banco.
Além deles, a investigação também chamou ex-diretores do Banco Regional de Brasília (BRB). Entre os nomes citados estão Paulo Henrique Costa, Dario Oswaldo Garcia Junior e o atual superintendente de Operações Financeiras do BRB, Robério Mangueira. A oitiva desses nomes é importante para entender as razões pelas quais o BRB não concretizou a compra do Banco Master.
O que a Operação Compliance Zero investiga?
A Operação Compliance Zero, que serviu de gatilho para a prisão de Vorcaro e para a atual rodada de depoimentos, busca apurar informações sobre a existência de R$ 12 bilhões em ativos falsos no Banco Master. A descoberta desses valores irregulares foi um dos principais fatores que levaram à intervenção e subsequente liquidação do banco.
A PF já realizou oitiva com o próprio Daniel Vorcaro, Paulo Henrique Costa e o diretor de fiscalização do Banco Central, Ailton Aquino, no dia 30 de dezembro, em pleno recesso. Essa diligência foi motivada pela iniciativa do ministro Dias Toffoli, relator do caso no STF, evidenciando a urgência e a importância das informações que estão sendo coletadas.
A liquidação do Banco Master e os riscos apontados pelo BC
O Banco Master foi oficialmente liquidado em novembro de 2025. A decisão do Banco Central (BC) de negar a compra da instituição pelo BRB, ocorrida em setembro do mesmo ano, foi fundamentada em riscos excessivos. O BC alegou, na época, a falta de documentação que comprovasse a viabilidade econômico-financeira do Master, além de fortes indícios de fraude.
A falta de transparência e a presença de irregularidades financeiras de grande monta são pontos centrais na investigação. A atuação da PF, agora com a colaboração de ex-sócios e ex-diretores, visa desvendar completamente a teia de fatos que culminou no colapso do Banco Master e na perda de bilhões em ativos.