CPI do Crime Organizado Pede Intervenção Federal no Rio: Relembre a Experiência de 2018 e Seus Resultados

CPI do Crime Organizado Pede Intervenção Federal no Rio: Relembre a Experiência de 2018 e Seus Resultados

Resumo

CPI do Crime Organizado sugere nova intervenção federal no Rio de Janeiro, relembrando experiência de 2018 e seus impactos na segurança pública.

O relatório final da CPI do Crime Organizado, apresentado nesta semana, trouxe uma recomendação que acende o debate sobre a segurança no Rio de Janeiro: uma nova intervenção federal na área da segurança pública. A proposta ecoa a experiência já vivida pelo estado entre fevereiro e dezembro de 2018, quando o então presidente Michel Temer decretou uma medida semelhante.

Essa intervenção de 2018, liderada pelo general Walter Braga Netto, atingiu a maioria de seus objetivos, com redução em diversos índices de criminalidade. No entanto, suas diretrizes foram abandonadas logo em seguida pelo então governador eleito, Wilson Witzel, abrindo caminho para um novo ciclo de desafios na segurança fluminense. A recomendação da CPI reacende a discussão sobre a eficácia e a continuidade de tais medidas.

A grave crise econômica que assolava o Rio de Janeiro desde 2015 se refletia diretamente na segurança pública. Em 2017, 134 policiais militares foram mortos, e os primeiros dias de 2018 registraram mais quatro assassinatos de PMs. A onda de arrastões e invasões a comércios, até mesmo em bairros nobres, durante o Carnaval de 2018, evidenciou a escalada da violência e a necessidade de ação.

Conforme informações divulgadas, a intervenção federal de 2018, decretada em 16 de fevereiro, visava reverter o quadro de insegurança. No entanto, o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, em março do mesmo ano, lançou uma sombra sobre a operação e aumentou a pressão por resultados rápidos. A liberação de verbas federais, crucial para o sucesso da intervenção, só ocorreu três meses após o início oficial, em maio de 2018.

Resultados e Metas da Intervenção de 2018

Nos primeiros oito meses sob o comando do general Braga Netto, os principais índices de criminalidade no Rio de Janeiro apresentaram uma queda significativa, superando as previsões. Dados do Instituto de Segurança Pública (ISP) indicam que, entre março e outubro de 2018, comparado ao mesmo período de 2017, o latrocínio (roubo seguido de morte) caiu 35,26%, quando a meta era de 10%. Roubos de carga recuaram 19,22% (meta de 10%), roubos de veículos caíram 8,2% (meta de 8%) e roubos de rua, incluindo celulares, diminuíram 7% (meta de 5%).

Letalidade Violenta: O Principal Desafio da Intervenção

O objetivo mais desafiador da intervenção de 2018 foi a redução da letalidade violenta, que engloba homicídios, latrocínios, lesões corporais seguidas de morte e mortes por intervenção policial. Nos primeiros oito meses, este índice cresceu 2,58%, contrariando a meta de queda de 9%. Contudo, no nono mês, houve uma queda expressiva de 13% em relação ao ano anterior, indicando uma virada possível.

Estratégia e Descontinuidade da Intervenção

A estratégia da intervenção federal focou na reorganização das polícias, recuperação da capacidade logística e treinamento de agentes, com investimentos superiores a R$ 1 bilhão em equipamentos. A ferramenta ISPGeo foi utilizada para otimizar operações policiais. Bases consideradas ineficientes, como algumas Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs), foram desativadas e seus efetivos realocados. Policiais administrativos foram treinados em logística e licitação para garantir a continuidade do suprimento de materiais. O foco não foi apenas em ocupação de comunidades, mas na reconstrução estrutural das forças de segurança.

Ao final da intervenção, em 1º de janeiro de 2019, o governador Wilson Witzel assumiu o posto e recebeu planos detalhados para a continuidade das melhorias. No entanto, Witzel optou por descartar as propostas, priorizando operações em favelas e abandonando a segurança ostensiva. Essa mudança de estratégia levou a um novo aumento nas estatísticas de criminalidade, embora a pandemia de COVID-19, iniciada em 2020, tenha dificultado comparações posteriores devido à redução da circulação de pessoas e consequente diminuição de crimes reportados.

Gestão Cláudio Castro e Queda Recente nos Índices Criminais

Após o impeachment de Witzel em abril de 2021, o vice Cláudio Castro assumiu o governo. Durante suas gestões, os índices de criminalidade apresentaram flutuações. Entre 2022 e 2025, os homicídios caíram 6,8%, totalizando 2.844 mortes em 2025. Os roubos também registraram uma redução de cerca de 10% no mesmo período, caindo de 108.393 para 97.666 casos. Essa queda ocorreu em meio a uma estratégia de combate ao crime marcada por operações de larga escala em favelas, algumas delas com alta letalidade, conforme dados policiais.

Organizações de Direitos Humanos contestam os números dessas operações, alegando a presença de inocentes entre as vítimas. O relator da CPI, senador Alessandro Vieira, descreveu a situação do Rio como um “comprometimento estrutural da soberania estatal”, agravado pela infiltração do crime organizado nas instituições públicas e pela presença de facções criminosas de grande porte e milícias. Segundo ele, a complexidade criminal do estado justifica uma resposta estatal de magnitude correspondente, como uma intervenção federal.

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